ARTIGO  
Data de submissão: 15/06/2026 Data de aprovação: 01/07/2026 Data de publicação: 03/07/2026  
NECESSIDADES INFORMACIONAIS SOBRE A MENOPAUSA  
resultados de uma pesquisa com mulheres no Brasil  
Juliana Buzinaro Andrikonis1  
Universidade Federal de São Carlos  
Ariadne Chloe Mary Furnival2  
Universidade Federal de São Carlos  
______________________________  
Resumo  
A menopausa é um processo natural esperado para mulheres cisgênero, mas a escassez de informações claras e a  
persistência de tabus culturais sobre esta fase da vida da maioria das mulheres dificultam o acesso a recursos que  
poderiam auxiliar nesse período. A pesquisa adota uma abordagem descritiva, exploratória e quantitativa via um  
survey, com coleta de dados por meio de um questionário online. Foram obtidos 208 questionários completos  
válidos. Houve respostas de 18 estados brasileiros. Os achados sugerem que, mais do que diferenças regionais, a  
busca por informação é influenciada pelas necessidades informacionais decorrentes das fases do climatério, bem  
como pela capacidade e autonomia das mulheres na busca por informação. Conclui-se que a área da saúde poderia  
se beneficiar da integração de serviços de informação sob a ótica da Ciência da Informação, especialmente para  
grupos invisibilizados, nos quais o acesso a informações baseadas em evidências pode ser limitado.  
Palavras-chave: mulher-menopausa; menopausa; informação em saúde; busca pela informação em saúde.  
INFORMATION NEEDS ON THE MENOPAUSE  
results from a survey of women in Brazil  
Abstract  
Menopause is a natural process expected for cisgender women, but the scarcity of clear information and the  
persistence of cultural taboos about this phase of life for most women hinder access to resources that could help  
during this period. This research adopts a descriptive, exploratory, and quantitative approach via a survey, with  
data collection through an online questionnaire. A total of 208 valid completed questionnaires were obtained.  
Responses were received from 18 Brazilian states. The findings suggest that, more than regional differences, the  
search for information is influenced by the informational needs arising from the phases of menopause, as well as  
by women's capacity and autonomy in seeking information. It is concluded that the health sector could benefit  
from the integration of information services from the perspective of Information Science, especially for  
marginalized groups where access to evidence-based information may be limited.  
Keywords: menopausal woman; menopause; health information; health information seeking.  
1
Formada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de São Carlos. Mestrado em Ciência da Informação  
Professora Adjunta - Ciência da Informação, Universidade Federal de São Carlos. Graduação em Comparative  
2
American Studies - University of Warwick, Inglaterra (1987); Mestrado em Computation - University of  
Manchester Institute of Science Technology - UMIST (1993); Mestrado em History (Literatura Comparativa) -  
University of Warwick (1988); e Doutorado em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY-NC-SA 4.0).  
ASKLEPION: Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 1-16, e-137, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
NECESIDADES DE INFORMACIÓN SOBRE LA MENOPAUSIA  
resultados de una encuesta realizada a mujeres en Brasil  
Resumen  
La menopausia es un proceso natural esperado para las mujeres cisgénero, pero la escasez de información clara y  
la persistencia de tabúes culturales sobre esta etapa de la vida dificultan el acceso a recursos que podrían ayudarlas  
durante este periodo. Esta investigación adopta un enfoque descriptivo, exploratorio y cuantitativo mediante una  
encuesta, con recolección de datos a través de un cuestionario en línea. Se obtuvieron 208 cuestionarios válidos y  
completos. Las respuestas se recibieron de 18 estados brasileños. Los hallazgos sugieren que, más que las  
diferencias regionales, la búsqueda de información está influenciada por las necesidades informativas derivadas de  
las fases de la menopausia, así como por la capacidad y autonomía de las mujeres para buscar información. Se  
concluye que el sector salud podría beneficiarse de la integración de servicios de información desde la perspectiva  
de la Ciencia de la Información, especialmente para grupos marginados donde el acceso a información basada en  
evidencia puede ser limitado.  
Palabras clave: mujer menopáusica; menopausia; información de salud; búsqueda de información de salud.  
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1 INTRODUÇÃO  
Alguns temas de saúde, por serem sensíveis e até tabus para uma parte da população,  
podem tornar mais complexo o desenvolvimento de autonomia e empoderamento em relação às  
decisões relativas ao seu tratamento. Em virtude disso, a busca, encontro e uso de informações  
sobre a saúde sexual e reprodutiva se torna uma questão crucial para evitar a alienação em  
relação ao próprio corpo, além de promover a qualidade de vida, saúde e integridade. As  
questões relacionadas aos ciclos reprodutivos na saúde feminina afetam as mulheres de  
diferentes formas ao longo de suas vidas, gerando necessidades informacionais que se  
manifestam desde a adolescência até a idade avançada.  
A menopausa, embora conhecida desde a antiguidade, não era amplamente vivenciada  
pelas mulheres devido à baixa expectativa de vida, o que limitava sua investigação e  
compreensão. Até o final dos anos 1950 e início dos anos 1960, os estudos sobre o  
desenvolvimento humano concentravam-se na espécie como um todo, negligenciando as  
diferenças sexuais e de gênero, com o homem sendo tomado como o padrão (Cabral, 2001).  
Somente com o advento dos movimentos feministas na década de 1960, temas relacionados à  
saúde feminina, como menstruação e menopausa, começaram a ganhar visibilidade em debates  
que ultrapassaram os círculos médicos e acadêmicos (Cabral, 2001). Entretanto, apesar desses  
avanços, ainda é um desafio observar a saúde da mulher para além das perspectivas do sistema  
reprodutivo (Nature, 2021), assim como ainda há pouca produção científica que possa auxiliar  
os profissionais da saúde a entender as preocupações e interesses das mulheres, em especial  
sobre a menopausa (Hajesmaeel-Gohari et al., 2021). Na Ciência da Informação, o tema tem  
sido pouco abordado (Souza, 2005; Yeoman, 2010), embora exista o subcampo de informação  
em saúde e uma demanda por esse tipo de informação.  
3
Nesse contexto restrito, é evidente que mulheres de diferentes grupos sociais possuem  
distintos níveis de acesso a informações e de poder de escolha em relação à menopausa. Assim,  
fica claro que as mulheres têm necessidades e desejos informacionais relacionados à saúde,  
independentemente de optarem por terapias hormonais. A busca por informações sobre saúde é  
bastante comum na internet, frequentemente feita de maneira aleatória, sem o auxílio de  
profissionais de saúde, por meio de ferramentas de busca generalistas (como o notório  
Dr.Google, por exemplo). As fontes de informação podem incluir sites acadêmicos,  
governamentais, institucionais, blogs ou grupos de apoio formados por pacientes e profissionais  
(Cubas; Felchner, 2012). Quando essas fontes são bem estruturadas e seguem critérios de  
confiabilidade, como a indicação clara de responsabilidade, podem ter um impacto positivo na  
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saúde e qualidade de vida das mulheres, e até mesmo salvar vidas (Galvão; Ferreira; Ricarte,  
2014).  
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023),  
aproximadamente 18% das mulheres no Brasil já estão ou passaram da faixa etária em que  
ocorrem os ciclos do climatério e a manifestação dos sintomas, geralmente entre os 45 e 55  
anos de idade (OMS, 2023). O climatério, uma fase natural e inevitável na vida de mulheres  
cisgênero, é caracterizado pela transição do período reprodutivo para o não reprodutivo,  
provocada pela queda na produção de estrogênio (OMS, 2023). Nesse sentido, o climatério é  
conceitualmente dividido em três fases, tendo a menopausa como ponto de referência. Essas  
fases são representadas no esquema a seguir:  
Figura 1 Ciclo reprodutivo feminino  
4
Fonte: Adaptado de Sartori; Dardes, 2022.  
A primeira fase é a pré-menopausa, quando ocorrem as alterações no padrão do ciclo  
menstrual (que constitui o principal sinal que a menopausa se aproxima), bem como sintomas  
comuns como fogachos (ondas de calor), perturbações do humor e do sono. Estes sintomas  
podem aparecer três a quatro anos antes da menopausa efetiva (Sorpreso, 2021). A segunda fase é  
a menopausa, que corresponde ao “último período menstrual espontâneo [...], após 12 meses  
consecutivos de ausência de menstruação, em decorrência de insuficiência ovariana fisiológica e  
permanente” (Sorpreso, 2021). Na última fase, a pós-menopausa, “[...] podem aparecer os  
sintomas vasomotores, principalmente representados pelos calores e sudoreses de intensidade  
variada, alterações de sono e humor” (Sorpreso, 2021). Esses sintomas, decorrentes da  
deficiência de estrogênio e que podem ser apresentados, ou não, de diferentes formas e fases da  
vida das mulheres, são passíveis de serem classificados em seis categorias, conforme o National  
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Health Service (NHS - o sistema de saúde pública no Reino Unido): 1. Sintomas psicológicos e  
emocionais: alterações de humor, irritabilidade, depressão, ansiedade, mudanças na  
autoconfiança, memória; 2. Sintomas vulvo vaginais: irritação, secura, dor ou secreção na vulva  
(parte externa dos órgãos genitais femininos) ou na vagina; 3. Sintomas urinários: aumento da  
frequência ou urgência urinária; 4. Sintomas relacionados ao sexo: diminuição da libido, dores ou  
sangramento durante o sexo ou exames ginecológicos; 5. Sintomas fisiológicos: palpitações,  
taquicardia, fogachos, suores noturnos, rubor, insônia, dores de cabeça, dores nas articulações,  
cansaço, inchaço no estômago, tontura, entre outros; e por fim, 6. Sintomas de sangramento ou  
menstruação: sangramentos com manchas, sangramentos irregulares, menstruação irregular ou  
ausência de menstruação (NHS, 2017, tradução nossa).  
Ainda que as questões psicológicas estejam majoritariamente associadas a essa transição  
física e hormonal, outros fatores da vida pessoal, como luto, divórcio ou saída dos filhos do  
ambiente familiar (empty nest syndrome) podem agravar os sintomas e afetar negativamente a  
vida social, amorosa, sexual, familiar e a autoimagem da mulher (Selbac et al., 2018). Esse  
período, portanto, exige atenção, acolhimento e disponibilização de informações claras e  
acessíveis, uma vez que esses fatores comprometem a qualidade de vida das mulheres (Trench;  
Santos, 2005; Santos et al., 2022; OMS, 2023). Além disso, a pós-menopausa pode aumentar a  
suscetibilidade a doenças como diabetes, câncer, problemas cardíacos, derrames e osteoporose, o  
que também contribui para o medo de envelhecer (Ferreira et al., 2013). A chegada do climatério  
nem sempre é facilmente identificada, o que pode gerar conflitos internos, criando uma sensação  
de perda de identidade. Em virtude dos desafios apresentados, algumas mulheres preferem  
manter esse período como assunto privado (Yeoman, 2010). Entretanto, diante do que foi  
apresentado, faz-se necessário pontuar que nem todas as mulheres apresentam sintomas ou as  
mesmas condições diante do climatério, algumas inclusive podem apresentar uma menopausa  
precoce devido a outras complicações de saúde, como por exemplo a partir da remoção do útero.  
Dado que os desconfortos são resultantes da queda do estrogênio, é comum supor que a  
Terapia Hormonal da Menopausa (THM) seria uma solução universal. Essa lógica foi adotada  
por Robert Wilson, em seu livro Eternamente feminina (1966), que associava a menopausa à  
perda de feminilidade ou à transição para uma “pós mulher”, sugeria que a terapia de reposição  
hormonal (TRH) era necessária não apenas para aliviar sintomas, mas também para restaurar  
‘características femininas’, como a preservação da beleza, da libido e redução das ‘crises  
femininas’ o que melhoraria a qualidade de vida (ver Wilson, 1966). Esse discurso traz  
preconceitos implícitos contra as mulheres, ao vinculá-las a padrões estéticos e biológicos  
específicos. Nesse sentido, um estudo sobre como o discurso médico definía a menopausa  
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(McGrea, 1983; Patterson; Lynch, 1994 apud Cabral, 2001) revelou que o discurso médico  
associava a menopausa às seguintes percepções:  
a) as mulheres estão biologicamente determinadas enquanto potencial e função; b) o  
valor das mulheres está determinado por sua capacidade de procriação e por seus  
atrativos físicos; c) o papel e a realidade feminina são mal vistos devido a sua debilidade  
emocional; d) as mulheres, com o passar dos anos, são vistas como inúteis e sem  
atrativos (Cabral, 2001, p. 73).  
Essa visão negativa da menopausa perpetuada pela cultura pode gerar sentimentos de  
vergonha, revolta e até coação, dificultando o acesso a informações de qualidade, mesmo com os  
avanços na perspectiva médica. Nesse sentido, é necessário reforçar que a menopausa não é uma  
doença, mas uma condição natural de saúde feminina.  
Apesar de a THM ter sido promovida como solução, sua adesão requer cuidados. Nos  
anos 1970, a terapia de reposição hormonal (TRH) foi criticada por seu possível aumento no risco  
de câncer de mama e endométrio (Wannmacher; Lubianca, 2004). Posteriormente, especialistas  
questionaram a magnitude desse risco, uma vez que os efeitos negativos estavam relacionados ao  
uso de estrógenos sem a administração de progestógenos (Wannmacher; Lubianca, 2004).  
Atualmente, muitos pesquisadores continuam a defender a THM pela sua eficácia na redução dos  
sintomas da menopausa (Santos et al., 2022).  
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Independentemente das intervenções escolhidas para o alívio dos sintomas, sejam  
hormonais ou não, a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) recomenda que as mulheres  
mantenham uma rotina de exercícios físicos e uma alimentação balanceada para reduzir os  
sintomas da menopausa e melhorar sua qualidade de vida. No entanto, o acesso a esses recursos  
pode ser atravessado por questões de privilégio, como classe social, ocupação e escolaridade.  
Mulheres de classes privilegiadas tendem a lidar melhor com esse período, enquanto aquelas com  
menos recursos podem sofrer com maiores sobrecargas mentais e domésticas (Reis, 1999;  
Lemos, 1994 apud Ferreira et al., 2013). Nesse contexto, Trench e Santos (2005) sugerem que a  
sintomatologia da menopausa pode variar de acordo com os parâmetros sociais, econômicos,  
culturais e étnicos.  
Diante das transformações físicas, emocionais e sociais que acompanham o climatério,  
sentiu-se necessário realizar uma pesquisa que teve como problema identificar e descrever como  
as mulheres no Brasil buscam, usam e (possivelmente) compartilham a informação durante as  
diferentes fases do climatério. Para responder a esse problema, foi necessário responder às  
seguintes questões: Quais são as informações mais necessárias e desejadas por esse público em  
relação ao climatério? Quais informações são mais frequentemente buscadas, utilizadas e  
compartilhadas? Quais são os principais canais e fontes em que as mulheres encontram conteúdos  
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sobre a menopausa?  
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS  
O método adotado para este estudo caracterizou-se como descritivo, exploratório e  
transversal, com abordagem mista (qualiquantitativa), utilizando o método survey, que coleta  
dados ou informações sobre características, ações ou opiniões de um determinado grupo de  
pessoas (Wildemuth, 2016). Assim, a coleta de dados ocorreu pela coleta de respostas ao  
instrumento de pesquisa semiestruturado de autoaplicação. O estudo foi transversal porque foi  
“[…] baseado em observações que representam um único recorte temporal” (Babbie, 2016. p.  
105, tradução nossa). A combinação das abordagens qualitativa e quantitativa visa mitigar a  
probabilidade de erros de interpretação e de análise dos dados coletados (Johnson;  
Onwuegbuzie; Turner, 2007).  
Após a realização de um levantamento bibliográfico e documental nas bases Scopus,  
PubMed, SciELO, Web of Science, que focalizou os eixos temáticos da pesquisa, foi elaborado  
o questionário. Este foi criado utilizando a ferramenta Google Forms, e foi composto por 17  
questões, sendo 16 estruturadas (utilizando escala Likert e opções de múltipla escolha) e uma  
questão aberta e opcional, no final do instrumento para que as participantes pudessem  
compartilhar situações, experiências e percepções, caso desejassem. Após a aprovação pelo  
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), o instrumento passou por diversas modificações em  
diferentes fases de avaliação pelas pesquisadoras e no teste com cinco colaboradoras. O período  
da coleta ocorreu entre julho de 2024 e o início de janeiro, de 2025, totalizando seis meses de  
aplicação. O link ao instrumento foi inicialmente divulgado nas redes sociais no início da  
disseminação do instrumento, visando alcançar participantes de diversas partes do Brasil. A  
divulgação do link do questionário foi direcionada a grupos do Facebook relacionados à  
menopausa, homens trans, anúncios, universidades, bem como perfis de profissionais de  
ginecologia, unidades de saúde e canais de comunicação interna de universidades públicas  
brasileiras.  
7
Os dados utilizados para o cálculo da amostragem da pesquisa foram retirados do IBGE  
(2023), filtrados pelo Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sindra). Os critérios e  
variáveis escolhidos para a análise foram gênero feminino e idade, considerando a média de  
faixa etária na qual as mulheres geralmente começam a apresentar os primeiros sinais do  
climatério. O cálculo da amostra seguiu a fórmula do cálculo de amostragem:  
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Dessa forma, considerando que o Brasil possui um total de 37.712.531 mulheres com 45  
anos ou mais, determinou-se que o questionário deveria alcançar um total de 385 respostas. A  
amostra foi calculada com uma margem de erro de 5%, nível de confiança de 80% e 50% de  
proporção da população. Assim, a amostra é representativa e adequada para inferir resultados  
sobre a população estudada (Fontelles et al., 2010). A técnica de amostragem usada foi “bola de  
neve”, pela qual as respondentes do questionário foram incentivadas a recomendar, de forma  
voluntária, a participação de outras pessoas potencialmente interessadas no tema (Costa, 2018),  
repassando o link (URL) do questionário para elas.  
A análise quantitativa foi conduzida por meio de estatística descritiva, utilizando médias  
das respostas em escala Likert (valores de 1 a 5) para identificar o nível de concordância das  
participantes. As respostas foram agrupadas em quatro categorias principais: total geral, fase do  
climatério, escolaridade e renda domiciliar, permitindo comparações entre os grupos. Para  
garantir a validade dos resultados, os dados foram normalizados, por meio do levantamento das  
médias das respostas.  
8
3 RESULTADOS  
No final da divulgação do instrumento de pesquisa, obtivemos um total de 208  
questionários respondidos válidos, o que confere aos resultados um nível de confiança de 80%  
em nível nacional, com margem de erro de 5%, considerando a proporção populacional de  
50%. No que diz respeito ao perfil sociodemográfico das participantes da pesquisa, obtivemos  
as características apresentadas na Tabela 1.  
Dentre os participantes, três (3) indicaram ter deficiência, sendo duas (2) com  
deficiência auditiva e uma com deficiência visual. Os dados sociodemográficos revelam que a  
maioria dos participantes pertence a grupos socialmente privilegiados, conforme demonstrado  
pelo fato de que a maior parte se identifica como branca e possui um nível de escolaridade  
elevado, com predominância de pós-graduados. Ademais, a grande maioria das respondentes  
são provenientes dos estados do sudeste do Brasil. Essas duas características predominantes  
possivelmente podem ser explicadas pelo fato que havia uma intensa divulgação sobre a  
pesquisa realizada pela universidade de origem das autoras, principalmente na região  
geográfica da instituição.  
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Tabela 1 Perfil sociodemográfico, geográfico e médico das participantes (números absolutos)  
Raça/Cor  
Branca (n=155)  
Parda (n=39)  
Preta (n=12)  
Indígena (n=1)  
Amarela (n=1)  
Faixa etária  
30 a 34 anos (n=2)  
35 a 39 anos (n=3)  
40 a 44 (n = 10)  
45 a 49 anos (n = 42)  
50 a 54 anos (n = 71)  
55 a 59 anos (n = 43)  
60 a 64 anos (n=23)  
65 a 69 anos (n=10)  
70 a 74 anos (n = 4)  
Escolaridade  
Ensino médio completo (n=38)  
Ensino superior incompleto (n=10)  
Ensino superior completo (n=44)  
Pós-graduação (n=118)  
Ensino fundamental completo (n=4)  
Ensino fundamental incompleto (n=3)  
Ensino médio incompleto (n=1)  
9
Renda mensal domiciliar  
Inferior a R$ 2.090,01 (n=13; 6,2%)  
R$ 2.090,01 a R$ 4.180 (n=40;  
19,2%)  
R$ 7.100 e R$ 22.000 (n=71; 34,1%)  
Superior a R$ 22.000 (n=15;7,2%)  
Não sabe informar (n=5; 2,4%)  
R$ 4.180,01 a R$ 7.100 (n=64;  
30,8%)  
Região do Brasil  
Sudeste (n=136)  
Sul (n=39)  
Centro-Oeste (n=9)  
Norte (n=8)  
Nordeste (n=16)  
Fase da menopausa  
Pós-menopausa (n=67)  
Perimenopausa (n=60)  
Menopausa (n=56)  
Não souberam especificar (n=25)  
Assistência de saúde utilizada  
Convênio médico (n=124)  
SUS (n=38)  
Convênio combinado com consulta  
particular (n=2)  
Consulta particular (n=31)  
Não realiza consultas médicas (n=1)  
Fonte: Dados da pesquisa (2024)  
Para a análise dos dados quantitativos coletados (das respostas às questões que usaram  
escala Likert e múltipla escolha), optamos por não representar as respostas com menos de 10  
participantes por categoria visto que a análise e exposição de dados fica tendenciosa e pouco  
representativa quando se tem poucos resultados. Dessa forma, para esta exposição, as  
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informações omitidas são referentes à escolaridade, nas categorias de ensino fundamental e  
fundamental incompleto, que não foram apresentadas na análise. Referente à “renda familiar", a  
opção “não sei” não foi representada. Os dados foram normalizados para ajustar os conjuntos  
de dados para que sejam consistentes e comparáveis.  
Quando questionadas nas questões 2, 3 e 4, sobre as informações mais buscadas (B) por  
fase do climatério, e sobre suas práticas, por cada fase, de uso e compartilhamento (UC) das  
informações, as participantes da pesquisa responderam da forma apresentada na tabela 2.  
Tabela 2 - Média dos temas buscados (B) e usados/compartilhados (U/C) por fase da menopausa  
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Fonte: Dados da pesquisa (2024).  
O comportamento de busca de informações está associado aos sintomas específicos de  
cada fase do climatério. Mulheres em perimenopausa tendem a buscar informações sobre  
sintomas relacionados ao sangramento, enquanto aquelas em outras fases não apresentam o  
mesmo comportamento. Apenas as mulheres na pós-menopausa demonstraram um  
comportamento de busca coerente com as suas necessidades ou desejos informacionais  
relacionados a temas de beleza e autocuidado. Conforme indicado na Tabela 2, de modo geral,  
a busca por informações é mais frequente entre mulheres na perimenopausa e menopausa,  
exceto no que se refere a sintomas relacionados à sexualidade, que tendem a ser mais  
investigados à medida que as mulheres experimentam a diminuição dos níveis de estrogênio  
(início do climatério).  
Quando cruzados com o atributo de nível educacional, a necessidade informacional  
geralmente corresponde ao comportamento de busca ativa por informações em saúde, o que  
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reflete uma postura proativa. A única exceção a essa tendência diz respeito a questões de beleza  
e autocuidado, que, embora sejam indicadas como informações necessárias ou desejadas, não  
são ativamente buscadas. As mulheres com pós-graduação também se destacam no  
comportamento de busca por informações relacionadas a terapias hormonais e não hormonais,  
enquanto as demais parecem adotar uma postura mais passiva em relação à obtenção dessas  
informações. De modo geral, os resultados de busca informacional, reflexo da necessidade  
informacional, caem conforme a mulher avança nas etapas do climatério.  
Quanto à questão das informações mais utilizadas ou compartilhadas (U/C) durante as  
fases do climatério estão diretamente relacionadas aos resultados da busca informacional,  
apresentando valores semelhantes ou inferiores aos resultados de busca, com exceção dos  
temas relacionados à sexualidade. Embora as mulheres indiquem uma considerável necessidade  
ou desejo informacional sobre esse tema, bem como um esforço em sua busca, elas não estão  
efetivamente utilizando ou compartilhando essas informações, situação que de modo geral  
também irá acontecer para os resultados a partir da perspectiva de classe e escolaridade. A  
partir da perspectiva da renda mensal, o uso da informação não revela padrões ou discrepâncias  
significativas além das já mencionadas. Isso sugere que, ao buscar e utilizar informações sobre  
saúde, não existem grandes barreiras que diferenciam as classes sociais em termos de  
impedimentos para o uso ou compartilhamento dessas informações, independentemente dos  
contextos distintos. Além disso, indivíduos com nível de escolaridade de pós-graduação  
apresentam um índice mais elevado de uso da informação em comparação aos demais níveis  
educacionais, especialmente em relação às terapias hormonais e não hormonais. No entanto, de  
modo geral, os resultados se mantêm próximos aos dos outros níveis de formação.  
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A partir dos resultados da questão número 5, pode-se estipular, por meio da média das  
respostas obtidas, uma na ordem na preferência de fontes na busca de informação em saúde:  
Profissional de medicina tradicional (3,5), Redes sociais (3,4), Amigas (3,23), Sites de internet  
(3,19), Livros (2,6), Textos acadêmicos/de universidades (2,58), Profissional de terapias  
alternativas (2,44), Vídeos no Youtube (2,38), Parentes (2,27), Unidades de saúde (2,24),  
Podcasts (2,21), Bulas de remédios (2,21), Panfletos, folders (1,96), Grupos de  
WhatsApp/Telegram (1,9), Propagandas e comerciais (1,86), Filmes e séries (1,71), Farmácias  
(1,72), Outro (1,58). Quando analisados por categorias, é possível observar, desses dados, as  
preferências das mulheres com pós-graduação por profissionais da medicina tradicional (3,6),  
seguido por redes sociais (3,47) e amigas (3,45) dado que decai conforme a redução do nível  
educacional. Para mulheres de ensino superior, é observado uma preferência destacada por  
profissionais da medicina tradicional, seguida de redes sociais (3,14) e sites de internet (3,05).  
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Já as mulheres com o ensino médio completo têm destaque e preferência por informações a  
partir de redes sociais (3,55), seguida de profissionais da medicina tradicional (2,95) e sites de  
internet (2,85).  
A partir dessa análise foi possível perceber uma tendência de quanto maior o nível  
educacional da mulher, maior a frequência de consulta por fontes de informação sobre a  
menopausa. Quanto à fase do climatério, é possível observar uma tendência de quanto mais  
fases foram vivenciadas no climatério, mais elas consultam os profissionais da medicina  
tradicional, amigas, menos sites de saúde. A análise a partir da classe social indica que quanto  
menor poder aquisitivo, mais tende se a fazer mais usos de buscas de informação por  
familiares, unidades de saúde, propagandas, farmácias, enquanto que observa-se uma tendência  
das classes dominantes em buscar a medicina tradicional e informações via site. Por fim, a  
questão número 6 do questionário solicitou que as participantes expressassem seu nível de  
concordância, numa escala Likert, com um conjunto de afirmações apresentadas; as médias dos  
níveis de concordância escolhidos são mostradas na tabela 3.  
12  
De acordo com os dados da tabela 3, as mulheres em fase de climatério demonstram, em  
média, uma disposição positiva em receber e buscar informações relacionadas à saúde, além de  
manifestarem interesse em não engravidar. Observou-se que elas tendem a compartilhar  
informações sobre o climatério com outras pessoas e, frequentemente, consultam profissionais  
de saúde para obter orientações específicas sobre essa fase, seguindo as recomendações  
recebidas. Entretanto, a percepção média sobre o nível de conhecimento e domínio dos  
profissionais de saúde em relação à menopausa é considerada baixa. As participantes também  
indicam que as informações sobre menopausa ainda não são amplamente acessíveis, embora  
mais da metade acredite que as informações necessárias podem ser encontradas. Ademais, as  
respostas não revelaram, em média, percepções negativas associadas à menopausa, como  
considerá-la um tabu ou fonte de tristeza.  
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Tabela 3 Nível de concordância com relação às afirmações  
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Fonte: Dados da pesquisa (2024).  
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A pesquisa identificou que as respondentes do questionário apresentam necessidades e  
desejos informacionais, apesar da disponibilidade de informações sobre saúde na atualidade.  
Além disso, os resultados da pesquisa indicam que as mulheres demonstram maior confiança ao  
lidar com informações sobre menstruação e sangramentos. No entanto, sua busca por  
informação volta-se aos assuntos relacionados a sintomas físicos, emocionais e psicológicos,  
além de cuidados com a aparência, bem-estar e opções terapêuticas hormonais e não  
hormonais. Entretanto, embora o interesse pelo último assunto ser elevado, o acesso e o uso  
dessas informações ocorrem com mais prudência.  
Essa cautela pode estar associada aos possíveis riscos à saúde causados por essas  
intervenções. Outro aspecto destacado, alinhado com o referencial teórico, é que a principal via  
de obtenção de informações continua sendo a comunicação interpessoal especialmente com  
profissionais de saúde, seguidos por pessoas com quem as mulheres mantêm vínculos de  
confiança e identificação. As respostas obtidas no estudo fornecem uma possibilidade de  
análise das práticas informacionais de mulheres no climatério, elucidando a perspectiva sobre a  
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busca, uso, fontes e percepções com relação às informações sobre menopausa.  
Em consonância com a Agenda 2030 da ONU esta pesquisa está alinhada com os  
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) números 3, que trata de "Saúde e Bem-  
Estar", e o ODS 5, referente à "Igualdade de Gênero", que visa "alcançar a igualdade de gênero  
e empoderar todas as mulheres e meninas" (Nações Unidas, 2024).  
As limitações identificadas na pesquisa incluem a predominância de características  
sociodemográficas específicas entre as participantes, o que pode restringir a generalização dos  
resultados para outras realidades e grupos populacionais. Diferentes contextos sociais,  
econômicos e raciais tendem a influenciar de maneira significativa tanto as práticas  
informacionais quanto as experiências vividas no climatério. Nesse sentido, compreende-se que  
as estratégias de divulgação do questionário não foram suficientes para alcançar um público  
mais diverso. Além disso, destaca-se uma limitação relacionada ao formato do questionário,  
que foi predominantemente estruturado, o que pode ter restringido a expressão mais livre das  
participantes. Também foi relatado que duas ou três pessoas deixaram de responder ao  
questionário por vergonha, o que aponta para possíveis barreiras subjetivas no processo de  
participação.  
14  
Por fim, há necessidade de maior geração de conhecimento em Ciência da Informação  
sobre a saúde da mulher. Essa geração será baseada em pesquisas científicas no campo, para  
que possa ser sintetizada, comunicada a pares científicos e amplamente disseminada, com o  
objetivo da sua possível aplicação na melhoria da saúde da mulher por meio do fortalecimento  
de ecossistemas de informação em saúde, visando à prestação de serviços de saúde eficazes e  
dialógicos.  
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ARTIGO  
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