ARTIGO  
Data de submissão: 03/04/2026 Data de aprovação: 25/04/2026 Data de publicação: 19/05/2026  
COMPETÊNCIAS INFOCOMUNICACIONAIS E O USO DAS TIC NO  
CONTEXTO DA INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL:  
um estudo nos hospitais do Brasil e Espanha1  
Marilia Carla Castro dos Santos2  
Universidade Federal da Bahia  
Louise Anunciação Fonseca de Oliveira do Amaral3  
Universidade Federal da Bahia  
Rodrigo França Meirelles4  
Universidade Federal da Bahia  
Francisco José Aragão Pedroza Cunha5  
Universidade Federal da Bahia  
______________________________  
Resumo  
O uso de inovações dependentes das Tecnologias da Informação nos Organismos Produtores de Serviços de  
Atenção à Saúde tem sido cada vez mais fomentado e requer o desenvolvimento de competências  
infocomunicacionais entre os agentes organizacionais. Tem-se como objetivo discutir as inovações dependentes  
das competências infocomunicacionais apresentadas na literatura entre 2019 e 2024; e apontar as habilidades  
infocomunicacionais relacionadas ao uso das TIC nos hospitais federais do Rio de Janeiro e da Comunidade  
Autônoma de Madrid (CAM). O estudo é exploratório e descritivo com abordagem quantitativa e qualitativa, dos  
tipos bibliográfico, documental, de levantamento e empírica. O questionário foi aplicado entre 22 profissionais  
nos hospitais brasileiros e entre 13 profissionais dos hospitais da Espanha. Corroborando com a literatura, os  
resultados demonstram que a inovação modifica as dinâmicas organizacionais e demanda dos sujeitos  
competências para operar as tecnologias, produzir informação e gerar conhecimento.  
Palavras-chave: inovação e aprendizagem organizacional; tecnologias de informação em saúde; hospitais; gestão  
de documentos em saúde; competência em informação e comunicação.  
1Manuscrito produto de uma Bolsa de IC CNPq- EDITAL PRPPG/UFBA 003/2025 Programa Institucional De Bolsas de  
Iniciação Científica (PIBIC) e vinculada ao Projeto Chamada CNPq/MCTI Nº 10/2023 – UNIVERSAL da pesquisa “Gestão  
de documentos e bases de dados digitais: mecanismos de geração de conhecimento e inovação dos serviços da atenção  
primária do SUS”.  
2Graduanda em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduação em Bacharelado Interdisciplinar em  
Saúde pela Universidade Federal da Bahia (2023).  
3Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense (2023). Mestre em Ciência da Informação pela  
Universidade Federal da Bahia (2012). Graduação em Relações Públicas pela Universidade Católica do Salvador (2006), em  
Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (2008) e especialização em Gestão da Comunicação Organizacional  
Integrada pela Universidade Federal da Bahia (2008). Arquivista da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia  
(UFBA).  
4Doutor em Difusão do Conhecimento pela Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mestre em  
Ciência da Informação e Graduação em Biblioteconomia e Documentação pelo Instituto de Ciência da Informação  
(ICI/UFBA). Professor do ICI/UFBA.  
5Doutor em Difusão do Conhecimento pelo Programa de Pós-graduação Multi-institucional e Multidisciplinar da Faculdade de  
Educação da UFBA (2012). Graduação em Administração de Empresas pela Universidade Católica do Salvador (1985) e  
mestrado em Ciência da Informação pela UFBA (2005). Professor Associado do Departamento de Documentação e  
Informação da UFBA. Professor permanente dos Programas de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da UFBA  
e do Doutorado Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento (DMMDC) da Faculdade de Educação  
da UFBA.  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
         
ARTIGO  
INFORMATION AND COMMUNICATION SKILLS AND THE USE OF ICT IN THE  
CONTEXT OF ORGANIZATIONAL INNOVATION:  
a study in hospitals in Brazil and Spain  
Abstract  
The use of Information Technology-dependent innovations in healthcare service providers has been increasingly  
encouraged and requires the development of information and communication skills among organizational agents.  
This study aims to discuss the innovations dependent on information and communication skills presented in the  
literature between 2019 and 2024; and to identify the information and communication skills related to the use of  
ICT in federal hospitals in Rio de Janeiro and the Autonomous Community of Madrid (CAM). The study is  
exploratory and descriptive with a quantitative and qualitative approach, of the bibliographic, documentary,  
survey, and empirical types. The questionnaire was applied to 22 professionals in Brazilian hospitals and 13  
professionals in hospitals in Spain. Corroborating the literature, the results demonstrate that innovation modifies  
organizational dynamics and demands skills from individuals to operate technologies, produce information, and  
generate knowledge.  
Keywords: innovation and organizational learning; health information technologies; hospitals; health document  
management; information and communication skills.  
COMPETENCIAS DE INFORMACIÓN Y COMUNICACIÓN Y EL USO DE LAS  
TIC EN EL CONTEXTO DE LA INNOVACIÓN ORGANIZACIONAL:  
un estudio en hospitales de Brasil y España  
Resumen  
El uso de innovaciones dependientes de las Tecnologías de la Información (TIC) en los proveedores de servicios  
de salud se ha fomentado cada vez más y requiere el desarrollo de habilidades de información y comunicación  
entre los agentes organizacionales. Este estudio tiene como objetivo analizar las innovaciones dependientes de las  
habilidades de información y comunicación presentadas en la literatura entre 2019 y 2024, e identificar las  
habilidades de información y comunicación relacionadas con el uso de las TIC en hospitales federales de Río de  
Janeiro y la Comunidad Autónoma de Madrid (CAM). El estudio es exploratorio y descriptivo, con un enfoque  
cuantitativo y cualitativo, de tipo bibliográfico, documental, de encuesta y empírico. El cuestionario se aplicó a 22  
profesionales de hospitales brasileños y 13 profesionales de hospitales españoles. Corroborando la literatura, los  
resultados demuestran que la innovación modifica la dinámica organizacional y exige habilidades por parte de los  
individuos para operar tecnologías, producir información y generar conocimiento.  
2
Palabras clave: innovación y aprendizaje organizacional; tecnologías de la información en salud; hospitales;  
gestión de documentos de salud; habilidades de información y comunicación.  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
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1 INTRODUÇÃO  
A introdução de inovações no âmbito dos serviços de saúde, com base nas  
transformações tecnológicas, promove mudanças no comportamento e cotidiano dos  
profissionais e pacientes (Gomes et al., 2022). Compreende-se que o uso de ferramentas,  
softwares, programas, sistemas e demais ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) nos  
Organismo Produtores de Serviços de Atenção à Saúde (OPSAS) tem sido cada vez mais  
fomentado, desenvolvido e incorporado principalmente com a difusão da chamada Saúde  
Digital. Dessa maneira, observa-se que os avanços tecnológicos além de proporcionarem  
oportunidades e ser uma vantagem competitiva nos serviços, têm potencial para a qualidade de  
vida dos cidadãos (Gadelha, 2021).  
Por outro lado, a incorporação de inovações com o avanço das Tecnologias de  
Informação e Comunicação (TIC) enfrenta barreiras e desafios que requer dos indivíduos e  
organizações o desenvolvimento de competências infocomunicacionais. Segundo Daher Junior  
e Borges (2021, p. 40), as competências infocomunicacionais podem ser compreendidas como  
“[...] conhecimentos, habilidades e atitudes que cotidianamente as pessoas empregam para lidar  
com informação (buscar, avaliar e produzir conteúdo) e comunicação (dialogar, negociar e  
trabalhar em colaboração)”.  
3
A partir desse cenário, a inovação, seja ela disruptiva ou incremental, vinculadas ao uso  
das TIC podem favorecer mudanças organizacionais. Assim, segundo o Manual do Oslo  
(OCDE, 2018, p. 24) a inovação caracteriza-se como “um produto ou processo novo ou  
aprimorado (ou uma combinação deles) que difere significativamente dos produtos ou  
processos anteriores da unidade e que foi disponibilizado aos usuários potenciais (produto) ou  
colocado em uso pela unidade (processo)”.  
Entende-se que ao possibilitar mudanças no modelo de organização, essas inovações  
modificam o fluxo de trabalho, o processo organizacional e a geração do conhecimento nos  
serviços assistenciais e administrativos. Compreende-se que, para além da literacia digital  
necessária aos profissionais e usuários, a cultura organizacional revela a formação social dos  
agentes e é um elemento essencial na aceitação e não aceitação das inovações nos OPSAS.  
A abordagem das Competências InfoCom converge com essa perspectiva na medida  
em que não se dispõe a determinar as competências que as pessoas devem possuir,  
mas de procurar entender e apoiar o desenvolvimento de competências que o contexto  
sociocultural de cada grupo demanda, a fim de tornar os sujeitos autônomos,  
reflexivos e protagonistas (Daher Junior; Borges, 2021, p. 55-56).  
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Nesse contexto, o presente manuscrito busca responder o seguinte questionamento:  
Quais são as competências infocomunicacionais relacionadas ao uso das TIC para  
implementação das inovações no âmbito dos OPSAS? É imperioso que os agentes dos OPSAS  
desenvolvam habilidades infocomunicacionais para o uso das TIC na promoção de inovações,  
consequentemente, para as tomadas de decisões e aprendizagem organizacional. Tal fato  
configura-se a justificativa desta investigação.  
Conforme Sasso (2024, p. 2) e colaboradores ao discutirem a informática em saúde e  
saúde digital, “estabelecer domínios, competências e habilidades é fundamental para preparar  
profissionais capazes de lidar com interoperabilidade de dados, processos clínicos e  
administrativos otimizados e outros desafios da transformação digital”.  
Neste estudo, compreende-se que as habilidades infocomunicacionais estão  
relacionadas as capacidades cognitiva e social para lidar com informação e gerar conhecimento  
(i.e. informação); e, as habilidades, conhecimentos e atitudes dos agentes organizacionais para  
as tomadas de decisões assertivas no desenvolvimento das atividades e funções dos OPSAS  
(i.e. comunicação). Assim, os objetivos são os de discutir as inovações dependentes das  
competências infocomunicacionais apresentadas na literatura entre 2019 e 2024; apontar as  
habilidades infocomunicacionais relacionadas ao uso das TIC nos hospitais federais do Rio de  
Janeiro e da Comunidade Autônoma de Madrid (CAM).  
4
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS  
Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva com abordagem qualitativa e  
quantitativa, dos tipos bibliográfico, documental, de levantamento e empírica. A temática sobre  
a aprendizagem e inovação nos OPSAS dependentes das competências infocomunicacionais  
delimitou o recorte temporal (i.e. entre 2019 e 2024) da revisão de literatura realizada para  
fundamentar os argumentos das análises das informações levantadas na pesquisa empírica.  
Na etapa inicial do levantamento da literatura as buscas foram realizadas por meio: 1)  
de bases de dados (e.g. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Eletronic Library Online  
(SciELO), Google Acadêmico); e, dos termos: “inovação”, “aprendizagem organizacional”,  
“cultura organizacional”, “hospitais”, “tecnologia da informação”, “serviços de saúde”,  
“difusão  
de  
inovações”,  
“sistema  
de  
aprendizagem  
em  
saúde”,  
“competências  
infocomunicacionais”. O levantamento contou com o auxílio dos operadores booleanos, “and,  
or”, que compuseram as chaves de buscas e cerca de 260 trabalhos em português publicados  
entre 2019 e 2024 foram encontrados. No primeiro momento, realizou-se somente leitura dos  
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títulos e 61 estudos foram previamente selecionados, inseridos e organizados no software  
Mendeley.  
Figura 1 Seleção de estudos para revisão bibliográfica  
Fonte: Elaborado pelos autores (2024)  
Para seleção final dos artigos, foram aplicados os critérios de inclusão (i.e. as pesquisas  
alinhadas com o tema, em português, estudos empíricos e teóricos completos); e, exclusão (i.e.  
os estudos escritos somente em língua estrangeira, duplicação de registro, monografia,  
dissertações e teses). Dessa forma, após a leitura completa dos artigos, utilizando os critérios  
de inclusão e exclusão estabelecidos, 14 estudos foram escolhidos por abordarem a temática da  
proposta deste manuscrito (Quadro 1).  
5
Quadro 1- Estudos selecionados para revisão de literatura  
Autor  
Costa (2020)  
Título  
Aportes da teoria crítica da tecnologia à análise da inovação nos serviços de  
saúde  
Daher Junior e Borges Ciência da Informação e Competências Infocomunicacionais: possíveis  
(2023)  
diálogos epistêmicos  
Fernandes, Lima e  
Chagon (2020)  
Gomes et al (2022)  
Contribuições do modelo Fatores Críticos de Sucesso para análise de gestão de  
Parceria para o Desenvolvimento Produtivo de um laboratório oficial.  
Implantação do prontuário eletrônico à luz da Teoria da Difusão da Inovação:  
estudo de caso  
Guimarães et al  
(2021)  
Política de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (CT&I/S): uma  
atualização para debate  
Iglesias et al (2023)  
Educação Permanente no Sistema Único de Saúde: Concepções de  
Profissionais da Gestão e dos Serviços  
Oliveira et al (2022)  
Pinto et al (2023)  
Ações inovadoras desenvolvidas por enfermeiras na Atenção Primária à Saúde  
Formulação de uma plataforma eletrônica para a saúde: inovação a partir de  
uma encomenda tecnológica  
Pizzolato, Sarquis e  
Danski (2021)  
Ranzi et al (2021)  
Nursing APHMÓVEL: aplicativo móvel para registro do processo de  
enfermagem na assistência pré-hospitalar de urgência  
Laboratório de inovação na Atenção Primária à Saúde: implementação e  
desdobramentos  
Rosa, Souza e Silva  
(2020)  
Inovação em saúde e internet das coisas (IoT): Um panorama do  
desenvolvimento científico e tecnológico.  
Silva et al (2021)  
A tecnossocialidade no cotidiano de profissionais da atenção = primária e  
promoção da saúde: scoping review.  
Soárez (2021)  
Política de Avaliação de Tecnologias em Saúde  
Zacharias (2021)  
e-SUS Atenção Primária: atributos determinantes para adoção e uso de uma  
inovação tecnológica  
Fonte: Elaborado pelos autores (2024).  
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No que se refere a pesquisa empírica, foi aplicado um questionário entre 22 profissionais  
dos hospitais federais do Rio de Janeiro (i.e. gestores das áreas administrativa e assistencial-  
tecnologia da informação, documentação/arquivo e direção geral); e, 13 profissionais dos  
hospitais da CAM da área administrativa/ financeira, área de tecnologia da informação e em  
áreas assistenciais/ clínicas.  
Este estudo traz as análises de duas questões do Grupo I do questionário que compõe a  
categoria de Aprendizagem e Inovação, cujas respostas foram organizadas em uma escala do  
tipo Likert, que possui um caráter ordinal; e no Grupo II foi utilizado uma questão de múltipla  
escolha relacionadas a categoria de Competências Infocomunicacionais (Quadro 2).  
Quadro 2 - Categorias de análise e as respectivas assertivas do questionário  
Categorias  
Assertivas  
Se o hospital promove capacitações relacionadas à  
organização da documentação produzida, recebida e  
acumulada (Grupo I Questão 12)  
Grupo I  
Aprendizagem e  
·Se a operação de computadores e aplicativos representa  
uma barreira no acesso à informação (Grupo I Questão  
17)  
Inovação  
6
. Com relação a este hospital, como você descreve as  
competências dos colaboradores em relação às  
informações geradas e recebidas?  
·Avaliam a informação quanto a aspectos como  
pertinência, confiabilidade e fidedignidade (Grupo II-  
Questão 5)  
·Contribuem com a construção do conhecimento,  
disponibilizando  
produtos  
informacionais  
que  
desenvolvem ou encontram, como artigos, vídeos,  
entrevistas, legislação etc. (Grupo II- Questão 5)  
Grupo II  
·Adequam a comunicação (linguagem e conteúdo) às  
características e às necessidades do receptor. (Grupo II-  
Questão 5)  
Competências  
Infocomunicacionais  
·Trabalham em colaboração, seja mobilizando redes  
sociais para conseguir ajuda, seja contribuindo com o  
próprio conhecimento. (Grupo II- Questão 5)  
·Avaliam a comunicação que realizam, verificando  
aspectos como privacidade e segurança. (Grupo II-  
Questão 5)  
·Gerenciam conhecimentos e informações. (Grupo II-  
Questão 5)  
· Organizam a informação que geram e recebem no  
âmbito de suas atividades. (Grupo II- Questão 5)  
·Difundem conhecimentos e informações. (Grupo II-  
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Questão 5)  
·Produzem conhecimentos e informações. (Grupo II-  
Questão 5)  
Fonte: Elaborado pelos autores (2024).  
3
DESENVOLVIMENTO E INCORPORAÇÃO DE INOVAÇÕES NOS OPSAS SOB  
INFLUÊNCIA DAS COMPETÊNCIAS INFOCOMUNICACIONAIS  
A incorporação e desenvolvimento de ações inovadoras nos OPSAS geraram  
transformações no âmbito assistencial, gerencial e administrativo, dependentes do  
desenvolvimento de competências específicas (Oliveira et al., 2022). Assim, segundo o Manual  
do Oslo, “muitos conhecimentos sobre inovação estão incorporados nas pessoas e em suas  
habilidades [...]” (OCDE, 2005, p. 53).  
Nesse sentido, com o avanço da informatização nos OPSAS, a introdução de produtos  
e processos acompanhados de novas tecnologias, as inovações tecnológicas, têm provocado  
mudanças significativas nos habitus dos indivíduos e das organizações. Observa-se na literatura  
que apesar da resistência cultural, há uma imposição ao uso dessas inovações, que quando  
incorporadas ao ambiente da saúde impactam de forma decisiva os serviços administrativos e  
assistências (Andreassi, 2006; Rosa; Souza; Silva, 2020).  
7
Alguns autores, a exemplo do Soárez (2021), compreendem que a inovação deve  
respeitar os princípios do SUS (i.e. de universalidade, da equidade e da integralidade). Ou seja,  
ao incorporar tecnologias nos serviços é recomendável considerar as questões culturais,  
políticas e sociais, pois “ao produzir tecnologias cada vez mais complexas e sofisticadas, o ser  
humano torna-se mais dependente delas, numa relação dialética e tendencialmente conflituosa”  
(Almeida Filho, 2023, p. 3).  
Dessa forma, a incorporação e o desenvolvimento de inovações tecnológicas estão  
associados a questões éticas, legais e sociais (Silva et al., 2021). De acordo com Gadelha (2021,  
p. 29), “a direção da inovação é dada pela sociedade e, portanto, pode gerar benefícios, mas  
também aumentar a fragmentação, a exclusão e a desigualdade, de acordo com o padrão e a  
direção do progresso técnico e de seu uso social”.  
A transformação digital demanda dos profissionais e usuários habilidades para  
utilização adequada de artefatos tecnológicos, percebe-se que a ausência de competências  
necessárias para utilização dessas inovações pode gerar subutilização dos sistemas,  
incompatibilidade de dados e aumento de desigualdades na área da saúde, ou seja, compromete  
democratização do acesso a saúde.  
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Gomes et al. (2022) analisou a partir de alguns atributos a aceitação e as fragilidades da  
implementação do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) na APS. Neste estudo, foi  
salientado que a introdução de inovação nos serviços pode gerar benefícios/ vantagens como a  
agilidade no atendimento e uma melhor organização das informações.  
Porém, ainda na pesquisa de Gomes et al. (2022), foram reveladas as dificuldades dos  
profissionais acerca da falta de qualificação quando da implementação da tecnologia nos  
serviços. Afirmações como a de que “[...] os profissionais reconheceram que não houve um  
período de teste em que pudessem experimentar e opinar sobre possibilidades de adequações  
às reais demandas do cotidiano de trabalho na Atenção Básica [...]”, demonstra que algumas  
inovações são desenvolvidas sem a contribuição dos profissionais que vão utilizá-las. Assim,  
“não são capazes de captar a peculiaridade da organização dos processos inovativos nos  
serviços, que na saúde encontra reproduções importantes” (Costa, 2020, p. 6).  
A implementação de sistemas de informação como e-SUS APS demanda infraestrutura  
e qualificação profissional, pois “[...] para que seu uso seja potencializado e efetivo, é preciso  
que os profissionais conheçam seus instrumentos, bem como os processos envolvidos para a  
alimentação dos dados” (Zacharias et al., 2021, p. 2). Dessa forma, conforme afirma Borges  
(2018, p. 124), em uma sociedade crescentemente pautada pela conexão em tempo real, as  
competências infocomunicacionais são determinantes”.  
8
Observa-se que o processo de implementação e pós- implementação de inovações  
demanda das organizações e indivíduos a capacidade de comunicação, de operacionalização  
das ferramentas e a capacidade de lidar com as informações.  
[...] a ausência de uma dessas competências interfere diretamente no desenvolvimento  
das demais, a exemplo do agente público que não possui habilidades com a internet e  
com os softwares da área ou o agente que até possui as competências operacionais,  
mas não sabe avaliar uma informação para inseri-la na política ou o agente que avalia  
bem a informação, mas não possui habilidades para um trabalho conectado em rede  
de colaboração (Santos; Borges, 2017, p. 12).  
Assim, percebe-se que o aprimoramento das tecnologias de informação (TI) nos OPSAS  
tem impactado de forma significativa as organizações (Rosa; Souza; Silva, 2020). Dado que, a  
adoção e assimilação das TI pode mudar o fluxo dos serviços, modificar a forma que são  
produzidos os Registro Eletrônico em Saúde (RES), além de influenciar na autenticidade dos  
dados, na disseminação e difusão das informações (Cunha et al., 2019). As relações  
interpessoais também são transformadas, pois  
[...] as tecnologias fazem parte do cotidiano dos profissionais, demonstrando eficácia  
nas ações de promoção da saúde e de estilo de vida mais saudável [...] além disso, é  
fonte de comunicação entre os profissionais, profissionais e usuários da APS,  
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contribuindo para  
o
desenvolvimento profissional, caracterizando-se como  
ferramentas inovadoras (Silva et al., 2021, p.1195).  
Nesse contexto, apesar dos benefícios e possibilidades de maiores ações de promoção  
da saúde decorrentes do uso de artefatos tecnológicos, a adoção de inovações nos OPSAS  
enfrenta desafios e barreiras. A inovação tecnológica no campo da saúde configura-se como “a  
geração de novas ideias, ou aplicação das ideias a partir das situações cotidianas no mundo do  
trabalho (Balbino et al., 2020, p. 8)”. E a incorporação dessas TIC pode exigir novas práticas  
dos agentes envolvidos no processo, além de favorecer mudanças organizacionais.  
3.1 DESAFIOS NA ADOÇÃO DAS TI NOS OPSAS E PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS  
SOBRE AS COMPETÊNCIAS INFOCOMUNICACIONAIS  
Esta seção é fundamentada em trabalhos na literatura que discorrem sobre a criação e  
adoção de inovações tecnológicas nos serviços de saúde. Gomes et al. (2022) em seu estudo,  
por exemplo, revela as fragilidades no uso do PEC no cotidiano dos profissionais ao apontar a  
ausência de capacitação por parte dos órgãos responsáveis pelo processo de implantação, o que  
se caracteriza como desafio para a atividade inovadora.  
9
Fernandes, Lima e Chagnon (2020), ao discutirem as inovações no setor farmacêutico,  
observaram que 15% dos entrevistados indicaram baixa capacitação dos profissionais, sendo  
um desafio na Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) dos laboratórios  
farmacêuticos públicos (LFO).  
Autores como Iglesias et al. (2023) e colaboradores em contraponto, discorrem em seus  
trabalhos sobre a importância da Educação Permanente em Saúde (EPS) como uma ferramenta  
de transmissão de conhecimento, pois  
[...] a EPS, por sua modalidade e distinção, deve estar incorporada ao cotidiano das  
organizações, o aprender e o ensinar em um mesmo movimento contínuo presente no  
ato do trabalhador da saúde. Tal proposta formativa se fundamenta nas contribuições  
de Paulo Freire, principalmente no que se refere à afirmação dos atores como seres  
problematizadores que têm a contribuir na construção de novos saberes favoráveis à  
promoção do cuidado (Iglesias et al., 2023, p. 9).  
Ranzi et al. (2021) ao discutirem a experiência da implementação do Laboratório de  
Inovação na Atenção Primária à Saúde (INOVAAPS), apontam barreiras que variam desde  
dificuldades para a articulação da APS com os demais serviços da rede de atenção à saúde  
(RAS), até resistência de alguns gestores e profissionais da APS na implementação da inovação.  
Apesar da busca por ações que considerem o contexto sociocultural, econômico e demográfico,  
percebe-se que há desafios associados a práticas hierárquicas no desenvolvimento da inovação,  
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corroborando com a ideia de que “o ecossistema da gestão de tecnologias para o SUS continua  
incompleto e enviesado” (Guimarães et al., 2021, p. 6113).  
Dessa maneira, dentre os artigos selecionados para discussão, foi realizado um  
mapeamento de estudos que apresentam e discutem TI implementadas nos serviços de saúde  
(Quadro 3). Observou-se que a falta de competências infocomunicacionais fragiliza o processo  
de implementação e aceitação das inovações.  
Quadro 3- Inovações em Saúde na literatura  
Autor  
Título  
Inovação/ Teoria  
Desafio / Limitações  
Gomes et al Implantação  
do Prontuário Eletrônico  
Dificuldades de compreensão de alguns itens  
solicitados pelo PEC durante o registro; o  
acesso e a conectividade à internet limitados;  
potencialização da resistência; fragilização do  
processo de capacitação e a ausência de  
experimentação.  
(2022)  
prontuário eletrônico à  
luz da Teoria da  
Difusão da Inovação:  
estudo de caso  
Oliveira et al Ações  
inovadoras Teoria da Difusão da A incorporação de inovações pode enfrentar  
(2022)  
desenvolvidas  
por Inovação (TDI)  
na  
à
desafios/ questões humanísticas, quais sejam:  
culturais, crenças, comportamentos; aumento  
da intensidade e complexidade do trabalho.  
enfermeiras  
Atenção Primária  
Saúde  
10  
Pinto et al A formulação de uma Plataforma eletrônica Falta de apoio da Secretaria de Saúde da Bahia  
(2023)  
plataforma eletrônica para a saúde, iPES  
para a saúde: inovação  
(Sesab) à atuação da FESF, no período  
estudado; resistências significativas ao  
desenvolvimento de parcerias público-  
a
partir  
de  
uma  
encomenda  
tecnológica  
Nursing  
APHMÓVEL:  
aplicativo móvel para para  
privadas em um ecossistema de inovação e de  
serviços.  
Pizzolato,  
Sarquis  
Danski  
(2021)  
Aplicativo  
dispositivo  
para Desenvolvimento inicial apenas para  
a
e
móvel plataforma Apple (iOS); ausência da avaliação  
registro  
do dos critérios de ergonomia e usabilidade do  
de app.  
pelo  
registro do processo de Processo  
enfermagem  
assistência  
na Enfermagem  
pré- enfermeiro do Serviço  
de Atendimento  
Móvel de Urgência  
de Laboratório  
inovação na Atenção Inovação na Atenção da APS; disputas em relação a hegemonia de  
hospitalar de urgência  
Ranzi et al Laboratório  
(2021)  
de Resistência de alguns gestores e profissionais  
Primária  
Implementação  
desdobramentos  
à
Saúde: Primária  
à
Saúde projetos e propostas; dificuldades para a  
articulação da APS com os demais serviços da  
RAS; dificuldade para o trabalho em equipe;  
inadequação da estrutura física e ambiência  
das Unidades de Saúde.  
e
(INOVAAPS)  
Silva et al A tecnossocialidade no Tecnologias  
de  
O
mapeamento evidenciou que alguns  
(2021)  
cotidiano  
profissionais  
atenção = primária e  
promoção da saúde:  
scoping review.  
de informação  
da  
aplicativos podem trazer risco para a  
segurança dos dados do paciente; profissionais  
enfrentam dificuldades de adaptação ao uso da  
tecnologia; há preocupação com o aumento da  
carga de trabalho.  
Zacharias et e-SUS  
al (2021) Primária:  
determinantes  
Atenção e-SUS  
Atenção Falhas de conectividade; ausência de tempo  
atributos Primária (e-SUS APS) para alimentação do sistema em tempo real e  
para  
de capacitação; não experimentação prévia;  
apresentação abrupta do sistema e ausência de  
habilidade com a tecnologia.  
adoção e uso de uma  
inovação tecnológica  
Fonte: Elaborado pelos autores, 2024.  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
ARTIGO  
Em síntese, os estudos demonstram que as áreas administrativas e assistenciais dos  
serviços de saúde estão inovando a partir do uso das TI. Associado a esses avanços, a literatura  
tem discutido a resistências dos profissionais, a insuficiência de capacitação para utilização de  
artefatos tecnológicos, os riscos relacionados à segurança e autenticidade dos dados, como  
também a falta de estrutura para assimilação dessas soluções inovadoras.  
Observa-se que a implementação das TIC carece de estratégias que auxiliem no  
desenvolvimento de competências infocomunicacionais por parte de quem as utilizam  
cotidianamente, tanto profissionais quanto usuários. Barreiras organizacionais como a ausência  
de letramento digital, falta de avaliação do contexto sociocultural e lacunas no processo de  
comunicação, podem ser decisivas na assertividade da inserção de inovações.  
No que tange a pesquisa empírica, buscou-se analisar o grau de concordância dos  
profissionais nos hospitais federais do Rio de Janeiro e dos da Comunidade Autônoma de  
Madrid (CAM) sobre competências infocomunicacionais nestes OPSAS. Observa-se que no  
processo de inovação questões relacionadas à capacitação dos profissionais; e barreiras  
associadas a operações de computadores e aplicativos são pertinentes.  
11  
No gráfico 1 é possível observar que respectivamente 18,18% e 46,15%, dos  
respondentes brasileiros e espanhóis, concordam totalmente que são promovidas capacitações  
relacionadas a organização das documentações, à medida que 31,82% dos profissionais  
brasileiros e 0% dos espanhóis discordam totalmente. Ou seja, percebe-se que a maiorias dos  
respondentes brasileiros não reconhecem a promoção de capacitações para organização da  
documentação produzida, recebida e acumulada, e tal situação pode inferir na aprendizagem e,  
consequentemente, na inovação.  
Gráfico 1 - Percentual de concordância sobre promoção de capacitações por parte do hospital.  
Capacitações relacionadas à organização da  
documentação produzida, recebida e  
acumulada  
46.15%  
50.00%  
40.00%  
30.00%  
20.00%  
10.00%  
0.00%  
31.82%  
30.77%  
18.18%  
18.18%  
7.69%  
18.18%  
7.69%  
13.64%  
7.69%  
0.00%  
Discordo  
Discordo  
Não  
Concordo  
Concordo  
Sem  
resposta  
totalmente parcialmente concordo parcialmente totalmente  
nem discordo  
Brasil  
Espanha  
Fonte: Pesquisa de levantamento, período de 2020 à 2022.  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
ARTIGO  
Ao observar o gráfico 2 sobre barreira no acesso à informação decorrente da operação  
de computadores e aplicativos, cerca de 18,18% dos profissionais brasileiros e 38,46% dos  
espanhóis concordam totalmente. Conforme os resultados, percebe-se que podem existir  
barreiras no acesso à informação com a implementação de artefatos tecnológicos nos OPSAS.  
Gráfico 2- -Percentual de concordância sobre barreira no acesso à informação.  
Operação de computadores e aplicativos representa  
uma barreira no acesso à informação  
45.00%  
38.46%  
40.00%  
35.00%  
30.00%  
25.00%  
20.00%  
15.00%  
10.00%  
5.00%  
36.36%  
30.77%  
23.08%  
18.18%  
18.18%  
18.18%  
9.09%  
7.69%  
0.00%  
0.00%  
Discordo  
totalmente  
Discordo  
Não concordo  
Concordo  
Concordo  
totalmente  
12  
parcialmente nem discordo parcialmente  
Brasil  
Espanha  
Fonte: Pesquisa de levantamento, período de 2020 à 2022.  
Analisou-se a percepção dos profissionais brasileiros e espanhóis quanto aos aspectos  
da produção e difusão da informação na construção do conhecimento. As informações  
levantadas no campo evidenciam que a maioria dos respondentes gerencia e difunde  
conhecimento e informações (Gráfico 3).  
Gráfico 3 - Competências infocomunicacionais  
Fonte: Pesquisa de levantamento, período de 2020 à 2022.  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
ARTIGO  
Como constata-se que 42,90% dos profissionais brasileiros e 50% dos espanhóis  
contribuem na construção do conhecimento, disponibilizando produtos informacionais que  
desenvolvem ou encontram.  
Nota-se que respectivamente 47,60% e 50% dos profissionais brasileiros e espanhóis  
avaliam a comunicação que realizam, verificando aspectos como privacidade e segurança. E no  
que tange a adequação da linguagem e conteúdo às características e as necessidades do receptor,  
observa-se que cerca de 47,60% dos profissionais brasileiros e 50% dos profissionais espanhóis  
adequam a comunicação. A comunicação quando ocorre de forma assertiva contribui para  
disseminação de informações pertinentes e confiáveis; e, podem contribuir com a construção  
do conhecimento.  
Nesse sentido, essas práticas fomentam o processo de aprendizagem organizacional, que  
segundo Cunha (2012, p. 82) “na perspectiva de desenvolver as competências nas organizações  
intensivas em conhecimento, o processo de aprendizagem organizacional não pode estar  
descolado da práxis dos sujeitos integrantes dessas organizações”.  
13  
Destaca-se que cerca de 47% dos profissionais brasileiros entrevistados e 20% dos  
espanhóis trabalham em colaboração.  
As interações interpessoais podem contribuir na  
aceitação e desenvolvimento de novas inovações.  
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
O fomento à inovação, principalmente a partir do uso das TI, no âmbito dos OPSAS  
podem provocar mudanças organizacionais. Diante da transformação digital, além das  
oportunidades, aspectos relacionados à desigualdade digital, sustentabilidade, gestão assertiva  
da informação, competência técnica para manusear as ferramentas, devem ser considerados.  
Na literatura, observou-se que estudos têm discutido a incorporação e desenvolvimento  
de estratégias inovativas nos serviços, dentre as dificuldades apresentadas, destacam-se a  
resistência dos profissionais e a falta de qualificação no uso das TI. No que tange a pesquisa  
empírica percebe-se que a operação em dispositivos tecnológicos pode ser uma barreira no  
acesso à informação e que menos da metade dos profissionais entrevistados trabalham em  
colaboração. Assim, com base nos resultados apresentados, percebe-se que inovação demanda  
dos sujeitos competências para operar as tecnologias, produzir informação e gerar  
conhecimento, como requer dos OPSAS o estímulo à aprendizagem organizacional.  
Nesse sentido, o desenvolvimento de competências infocomunicacionais favorece a  
implementação e aceitação da inovação nos OPSAS. As habilidades operacionais, as  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
ARTIGO  
competências em informação e em comunicação auxiliam nas interações interpessoais e na  
relação homem- máquina a favorecer o letramento digital.  
Apesar dos benefícios do uso da TIC nos serviços de saúde, desafios precisam ser  
superados. Assim, percebe-se que as estratégias e ações inovativas devem considerar a cultura  
organizacional e as reais necessidades dos profissionais e usuários, pois o contexto sociocultural  
está relacionado com desenvolvimento de habilidades, competências e aceitação das inovações.  
Quando a inovação tecnológica não é assimilada de forma adequada pela organização, a adoção  
da TI pode impactar tanto na gestão da informação quanto na democratização do acesso à saúde.  
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ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.  
ARTIGO  
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