ARTIGO
Gomes et al. (2022) analisou a partir de alguns atributos a aceitação e as fragilidades da
implementação do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) na APS. Neste estudo, foi
salientado que a introdução de inovação nos serviços pode gerar benefícios/ vantagens como a
agilidade no atendimento e uma melhor organização das informações.
Porém, ainda na pesquisa de Gomes et al. (2022), foram reveladas as dificuldades dos
profissionais acerca da falta de qualificação quando da implementação da tecnologia nos
serviços. Afirmações como a de que “[...] os profissionais reconheceram que não houve um
período de teste em que pudessem experimentar e opinar sobre possibilidades de adequações
às reais demandas do cotidiano de trabalho na Atenção Básica [...]”, demonstra que algumas
inovações são desenvolvidas sem a contribuição dos profissionais que vão utilizá-las. Assim,
“não são capazes de captar a peculiaridade da organização dos processos inovativos nos
serviços, que na saúde encontra reproduções importantes” (Costa, 2020, p. 6).
A implementação de sistemas de informação como e-SUS APS demanda infraestrutura
e qualificação profissional, pois “[...] para que seu uso seja potencializado e efetivo, é preciso
que os profissionais conheçam seus instrumentos, bem como os processos envolvidos para a
alimentação dos dados” (Zacharias et al., 2021, p. 2). Dessa forma, conforme afirma Borges
(2018, p. 124), “em uma sociedade crescentemente pautada pela conexão em tempo real, as
competências infocomunicacionais são determinantes”.
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Observa-se que o processo de implementação e pós- implementação de inovações
demanda das organizações e indivíduos a capacidade de comunicação, de operacionalização
das ferramentas e a capacidade de lidar com as informações.
[...] a ausência de uma dessas competências interfere diretamente no desenvolvimento
das demais, a exemplo do agente público que não possui habilidades com a internet e
com os softwares da área ou o agente que até possui as competências operacionais,
mas não sabe avaliar uma informação para inseri-la na política ou o agente que avalia
bem a informação, mas não possui habilidades para um trabalho conectado em rede
de colaboração (Santos; Borges, 2017, p. 12).
Assim, percebe-se que o aprimoramento das tecnologias de informação (TI) nos OPSAS
tem impactado de forma significativa as organizações (Rosa; Souza; Silva, 2020). Dado que, a
adoção e assimilação das TI pode mudar o fluxo dos serviços, modificar a forma que são
produzidos os Registro Eletrônico em Saúde (RES), além de influenciar na autenticidade dos
dados, na disseminação e difusão das informações (Cunha et al., 2019). As relações
interpessoais também são transformadas, pois
[...] as tecnologias fazem parte do cotidiano dos profissionais, demonstrando eficácia
nas ações de promoção da saúde e de estilo de vida mais saudável [...] além disso, é
fonte de comunicação entre os profissionais, profissionais e usuários da APS,
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-17, e-133, jan./jun. 2026.