ARTIGO  
Data de submissão: 16/02/2025 Data de aprovação: 02/03/2026 Data de publicação: 25/03/2026  
BIBLIOTERAPIA COMO PRÁTICA INFORMACIONAL EM  
CONTEXTOS HOSPITALARES UNIVERSITÁRIOS: mapeamento da  
atuação bibliotecária  
Ana Clara de Lima Xavier1  
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia  
Dayanne da Silva Prudencio2  
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia  
______________________________  
Resumo  
Analisa a atuação do(a) bibliotecário(a) como mediador(a) em práticas de biblioterapia desenvolvidas em núcleos  
de acolhimento de hospitais universitários da região Sudeste do Brasil. A biblioterapia é compreendida como  
prática de mediação da leitura voltada à promoção da saúde e ao desenvolvimento humano, por meio de processos  
como identificação, catarse e reflexão. A pesquisa caracteriza-se como básica, exploratória e descritiva. Utiliza  
pesquisa bibliográfica e de campo como métodos, questionário estruturado e entrevista semiestruturada como  
instrumentos. O questionário foi aplicado aos núcleos de acolhimento dos hospitais universitários e a entrevista  
foi conduzida a coordenação do projeto de extensão Florescer, do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle  
(HUGG/UNIRIO). O referencial teórico aborda fundamentos conceituais da biblioterapia e suas modalidades  
clínica, institucional e desenvolvimento, situando-a na interface entre Biblioteconomia e Saúde. Os resultados  
evidenciam abertura institucional para a implementação da prática em contextos hospitalares, especialmente como  
estratégia de humanização do cuidado. Contudo, identificam-se entraves relacionados à insuficiente formação  
acadêmica em biblioterapia, à ausência de curadoria sistematizada de acervos e ao limitado reconhecimento da  
competência bibliotecária por equipes multiprofissionais. Identificou-se como pouca a atuação de bibliotecários  
nestes espaços. Conclui-se que a inserção qualificada do(a) bibliotecário(a) em ambientes hospitalares pode  
fortalecer a gestão informacional e ampliar o alcance das práticas de cuidado, desde que sustentada por formação  
específica e articulação interdisciplinar.  
Palavras-chave: biblioterapia; mediação de leitura; bibliotecário atuação; hospital universitário; núcleo de  
acolhimento.  
BIBLIOTHERAPY AS AN INFORMATIONAL PRACTICE IN UNIVERSITY  
HOSPITAL CONTEXTS: mapping librarian performance  
Abstract  
This study analyzes the role of the librarian as a mediator in bibliotherapy practices developed within welcoming  
centers of university hospitals in the Southeast region of Brazil. Bibliotherapy is understood as a reading mediation  
practice aimed at promoting health and human development through processes such as identification, catharsis,  
and reflection. The research is characterized as basic, exploratory, and descriptive. It employs bibliographic and  
field research as methods, using a structured questionnaire and a semi-structured interview as data collection  
1
Mestranda em Ciência da Informação no Programa de Pós-Graduação em Ciência do Instituto Brasileiro de  
Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado  
do Rio de Janeiro (Unirio)  
2
Professora Adjunta III no Departamento de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de  
Janeiro e Pesquisadora Adjunta no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Doutora em  
Ciência da Informação pelo PPGCI IBICT/UFRJ (2019) . Mestre em Ciência da Informação pela Universidade  
Federal Fluminense (2015). Especialista em Tecnologias da Informação e da Comunicação aplicadas à Educação  
na Universidade Federal de Santa Maria (2018). Especialista em Gestão Empresarial e Sistema de Informação  
pela UFF (2013) e Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2011).  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-16, e-129, jan./jul. 2026.  
   
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instruments. The questionnaire was administered to welcoming centers of university hospitals, and the interview  
was conducted with the coordinator of the Florescer extension project at the Hospital Universitário Gaffrée e  
Guinle (HUGG/UNIRIO). The theoretical framework addresses the conceptual foundations of bibliotherapy and  
its clinical, institutional, and developmental modalities, situating it at the intersection of Library and Information  
Science and Health. The results indicate institutional openness to implementing the practice in hospital contexts,  
particularly as a strategy for the humanization of care. However, obstacles were identified, including insufficient  
academic training in bibliotherapy, the absence of systematic collection development practices, and limited  
recognition of librarians’ professional competencies by multidisciplinary teams. The presence of librarians in these  
settings was found to be limited. It is concluded that the qualified insertion of librarians into hospital environments  
can strengthen information management and expand the scope of care practices, provided it is supported by specific  
training and interdisciplinary collaboration.  
Keywords: bibliotherapy; reading mediation; librarian performance; university hospitals; humanization of care.  
BIBLIOTERAPIA COMO PRÁCTICA INFORMACIONAL EN CONTEXTOS  
HOSPITALARIOS UNIVERSITARIOS: mapeo de la actuación bibliotecária  
Resumen  
Analiza la actuación del/de la bibliotecario(a) como mediador(a) en prácticas de biblioterapia desarrolladas en  
núcleos de acogida de hospitales universitarios de la región Sudeste de Brasil. La biblioterapia se comprende como  
una práctica de mediación de la lectura orientada a la promoción de la salud y al desarrollo humano, mediante  
procesos como identificación, catarsis y reflexión. La investigación se caracteriza como básica, exploratoria y  
descriptiva. Emplea la investigación bibliográfica y de campo como métodos, y el cuestionario estructurado y la  
entrevista semiestructurada como instrumentos de recolección de datos. El cuestionario fue aplicado a los núcleos  
de acogida de los hospitales universitarios y la entrevista se realizó con la coordinación del proyecto de extensión  
Florescer, del Hospital Universitario Gaffrée e Guinle (HUGG/UNIRIO). El marco teórico aborda los fundamentos  
conceptuales de la biblioterapia y sus modalidades clínica, institucional y de desarrollo, situándola en la interfaz  
entre Bibliotecología y Salud. Los resultados evidencian apertura institucional para la implementación de la  
práctica en contextos hospitalarios, especialmente como estrategia de humanización del cuidado. No obstante, se  
identifican obstáculos relacionados con la insuficiente formación académica en biblioterapia, la ausencia de  
curaduría sistematizada de colecciones y el limitado reconocimiento de la competencia profesional del/de la  
bibliotecario(a) por parte de equipos multiprofesionales. Se constató que la actuación de bibliotecarios en estos  
espacios es reducida. Se concluye que la inserción cualificada del/de la bibliotecario(a) en entornos hospitalarios  
puede fortalecer la gestión de la información y ampliar el alcance de las prácticas de cuidado, siempre que esté  
respaldada por formación específica y articulación interdisciplinaria.  
Palabras clave: biblioterapia; mediación de la lectura; desempeño profesional del bibliotecario; hospitales  
universitarios; humanización del cuidado.  
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1 INTRODUÇÃO  
Nos últimos anos, a biblioterapia tem se consolidado como objeto de interesse  
interdisciplinar, especialmente em estudos que investigam estratégias de cuidado, humanização  
e promoção da saúde em diferentes contextos institucionais (Peduzzi, 2001). No ambiente  
hospitalar, a prática adquire relevância particular ao articular leitura, mediação da informação  
e processos subjetivos de enfrentamento da doença. Nesse cenário, este artigo analisa a  
participação do(a) bibliotecário(a) como mediador(a) da informação e agente de práticas  
biblioterapêuticas em hospitais universitários da região Sudeste do Brasil.  
Compreendida como prática terapêutica baseada na leitura individual ou coletiva de  
obras literárias ou de autoajuda, a biblioterapia visa favorecer processos de reflexão,  
desenvolvimento e bem-estar ao longo da vida (Abreu; Zulueta; Henriques, 2013). Seu  
fundamento reside na capacidade da leitura de suscitar identificação, elaboração simbólica e  
ressignificação de experiências, elementos que a aproximam das abordagens de cuidado  
centradas na subjetividade do paciente.  
A efetividade dessa prática está diretamente relacionada à mediação qualificada.  
Conforme apontam Guedes e Baptista (2013), a seleção dos materiais deve considerar as  
necessidades informacionais e as condições cognitivas dos participantes, o que exige do  
profissional domínio do acervo e compreensão do contexto de aplicação. Nessa perspectiva, a  
mediação informacional assume caráter estratégico, uma vez que o biblioterapeuta precisa  
articular conteúdo, escuta e interpretação, garantindo que a informação disponibilizada  
dialogue com as demandas do grupo atendido.  
O caráter subjetivo da biblioterapia também demanda atuação interdisciplinar,  
integrando profissionais de áreas como Psicologia, Enfermagem e Medicina. O diálogo  
terapêutico, conforme destaca Ouaknin (1996), constitui elemento estruturante da prática,  
reforçando seu potencial como dispositivo complementar de cuidado no ambiente hospitalar.  
Historicamente associada à ampliação das funções bibliotecárias, especialmente em sua  
interface com o serviço de referência (Pereira, 1996 apud Almeida et al., 2012), a biblioterapia  
permanece, contudo, subexplorada no contexto dos hospitais universitários brasileiros. Tal  
lacuna evidencia a necessidade de investigações que examinem de que modo o(a)  
bibliotecário(a) pode atuar nesse campo, considerando tanto as possibilidades de expansão  
profissional quanto os limites éticos e institucionais envolvidos.  
Assim, o estudo justifica-se pela escassez de pesquisas empíricas sobre a inserção  
sistematizada da biblioterapia em hospitais universitários e pela ausência de diretrizes  
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específicas que orientem a atuação bibliotecária nesse contexto. Ao discutir essa interface entre  
Biblioteconomia e Saúde, busca-se contribuir para o debate sobre formação profissional,  
responsabilidade social e ampliação das práticas informacionais voltadas ao cuidado.  
2 METODOLOGIA  
A investigação3 caracteriza-se como pesquisa básica, de natureza exploratória e  
descritiva, conforme a tipologia proposta por Severino (2014). É considerada básica por  
dedicar-se à ampliação do conhecimento teórico acerca da biblioterapia em hospitais  
universitários, sem finalidade de intervenção imediata. Nesse sentido, fundamenta-se  
predominantemente em fontes bibliográficas, visando sistematizar e problematizar conceitos já  
consolidados na literatura.  
O caráter exploratório justifica-se pela busca de informações sobre a inserção de  
bibliotecários em práticas biblioterapêuticas desenvolvidas em hospitais universitários da  
região Sudeste do Brasil. Simultaneamente, assume dimensão descritiva ao examinar as  
modalidades de biblioterapia identificadas nesses contextos e as contribuições registradas na  
produção científica da área.  
Como método adotou-se pesquisa bibliográfica em três bases de dados, a saber:  
BRAPCI Base de dados em Ciência da Informação, SciELO Scientific Electronic Library  
Online e Web of Science. Utilizou-se o termo “Biblioterapia” em português, enquanto na  
Web of Science e no SciELO foram empregados o termo “Bibliotherapy”, em inglês. Esse  
processo resultou na recuperação de 86 artigos na BRAPCI, 3 na SciELO e 23 na Web of  
Science. Esses números refletem os artigos pertinentes ao recorte temático de nosso estudo,  
acessíveis e disponíveis para consulta no momento da coleta; itens com links quebrados,  
conteúdo inacessível ou incorreto foram desconsiderados nessa contagem, o que assegura a  
confiabilidade dos dados analisados.  
Para tratamento dos dados, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo, conforme  
Bardin (2011), que possibilita a organização, categorização e interpretação das mensagens a  
partir de critérios sistemáticos, favorecendo inferências sobre as condições de produção e  
circulação dos discursos analisados (Severino, 2014).  
3
O artigo em tela é recorte de uma pesquisa de Trabalho de Conclusão do Curso de Bacharelado em  
Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro defendido e aprovado em 2025.  
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Assim, após organização dos registros em planilha contendo título, autoria e resumo,  
procedeu-se à leitura e aplicação de critérios de seleção, o que culminou na definição de 20  
artigos para análise.  
Para tratamento dos dados, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo, conforme  
Bardin (2011), que possibilita a organização, categorização e interpretação das mensagens a  
partir de critérios sistemáticos, favorecendo inferências sobre as condições de produção e  
circulação dos discursos analisados (Severino, 2014).  
Paralelamente, realizou-se o mapeamento dos núcleos de acolhimento e/ou  
humanização vinculados a hospitais universitários da região Sudeste. Considerando a  
diversidade de nomenclaturas institucionais, procedeu-se à análise das descrições formais dos  
departamentos, buscando identificar aqueles alinhados às diretrizes da Política Nacional de  
Humanização do SUS (Ministério da Saúde, 2013). Foram identificadas 17 unidades.  
A essas unidades foi encaminhado por e-mail um questionário estruturado. O  
instrumento foi aplicado entre 3 de abril e 29 de maio de 2025, com o objetivo de verificar a  
existência de práticas de biblioterapia e a participação de bibliotecários nesses espaços. Obteve-  
se apenas uma resposta, cujos dados foram tratados por meio de estatística descritiva, articulada  
à fundamentação teórica do campo.  
Em razão da baixa adesão ao instrumento, optou-se pela realização adicional de  
entrevista com a gestora do núcleo do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle da UNIRIO  
(HUGG/UNIRIO). A escolha ocorreu por conveniência, considerando a vinculação  
institucional da pesquisadora. A entrevista foi realizada remotamente, de forma voluntária, em  
10 de junho de 2025, com gravação autorizada. O encontro teve duração aproximada de 60  
minutos, seguiu roteiro pré-estruturado e seu conteúdo foi integralmente analisado.  
3 BIBLIOTERAPIA: FUNDAMENTOS CONCEITUAIS E PRÁTICAS  
O termo biblioterapia deriva de biblíon (livro) e therapeía (terapia) e fundamenta-se na  
compreensão do sujeito como ser em constante transformação, capaz de ressignificar  
experiências por meio da leitura. A prática articula texto e subjetividade, operando na interface  
entre mediação informacional e elaboração simbólica (Xavier, 2025).  
Para Caldin (2001), a leitura constitui processo interpretativo que pode assumir caráter  
terapêutico ao possibilitar múltiplas atribuições de sentido. A biblioterapia, contudo, não se  
restringe ao ato de ler: envolve diálogo, comentário e interação, elementos que favorecem  
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reflexão e compartilhamento de experiências. Nesse contexto, o texto atua como mediador entre  
vivências individuais e construção coletiva de significados.  
A base teórica da biblioterapia moderna está fortemente associada aos estudos de  
Caroline Shrodes (1949), que a definiu como processo dinâmico de interação entre leitor e  
literatura imaginativa, capaz de promover mudanças emocionais por meio da introspecção.  
Ancorada na teoria aristotélica da catarse e nas contribuições psicanalíticas de Freud, a prática  
envolve mecanismos como identificação, projeção, introjeção e insight (Caldin, 2001). Esses  
componentes estruturam o processo biblioterapêutico ao favorecer a elaboração emocional e a  
reorganização de experiências subjetivas.  
Embora Caldin (2009) destaque a potência dos textos ficcionais em atividades grupais,  
outros autores ampliam a conceituação para incluir leituras individuais e gêneros como a  
autoajuda (Abreu; Zulueta; Henriques, 2013). Assim, a biblioterapia pode assumir diferentes  
formatos, desde práticas mediadas por profissionais até experiências autônomas de leitura com  
finalidade reflexiva.  
3.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONSOLIDAÇÃO INTERDISCIPLINAR  
A associação entre leitura e cuidado remonta à Antiguidade, quando bibliotecas eram  
concebidas como espaços de cura simbólica. Contudo, a sistematização da biblioterapia como  
prática estruturada ocorreu entre os séculos XIX e XX, especialmente em hospitais psiquiátricos  
nos Estados Unidos (Xavier, 2025).  
Durante o século XX, a biblioterapia passou por fases de experimentação empírica,  
sistematização metodológica e consolidação científica (Beatty, 1962 apud Guedes, 2013).  
Guerras mundiais, avanços das ciências comportamentais e atuação de instituições como a  
American Library Association contribuíram para sua institucionalização como prática  
interdisciplinar.  
No Brasil, as experiências iniciais ocorreram em ambientes hospitalares e expandiram-  
se para outros contextos institucionais. Embora haja iniciativas legislativas e aplicações práticas  
em diferentes espaços, o campo ainda carece de maior padronização conceitual e formativa,  
mantendo-se em processo de construção teórica (Gusmão; Souza, 2020).  
3.2 TIPOLOGIAS, MODELOS E PROCESSOS DE APLICAÇÃO  
A literatura apresenta múltiplas classificações da biblioterapia. De modo geral,  
distinguem-se três vertentes principais: institucional (informativa e recreativa), clínica (voltada  
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a questões emocionais em ambientes de saúde) e desenvolvimental (direcionada ao crescimento  
pessoal) (Pereira, 2016; Gusmão; Souza, 2020).  
Outras abordagens diferenciam a biblioterapia como arte e ciência (Rosa, 2006) ou  
como prática explícita e implícita (Pereira, 1996). Apesar das variações terminológicas, há  
consenso de que sua aplicação exige planejamento, seleção criteriosa de materiais e  
compreensão do público-alvo.  
Modelos processuais, como os descritos por Guedes (2013), indicam que a intervenção  
envolve etapas que incluem seleção do texto, mediação, interpretação e possíveis  
desdobramentos emocionais que podem resultar em mecanismos de mudança ou de defesa. A  
divergência entre autores quanto ao papel da projeção e da introjeção evidencia a complexidade  
do campo e reforça a necessidade de fundamentação teórica consistente.  
A aplicação da biblioterapia exige mediação qualificada. A curadoria de materiais deve  
considerar necessidades emocionais e informacionais, em consonância com princípios clássicos  
da Biblioteconomia, como as leis de Ranganathan. A prática pode envolver leitura, narração,  
dramatização ou atividades lúdicas, sempre orientadas pelo estímulo à imaginação e à  
elaboração simbólica (Caldin, 2009).  
No contexto hospitalar, a biblioterapia assume relevância particular por contribuir para  
a humanização do cuidado e para o enfrentamento do isolamento emocional associado à  
internação (Valencia; Magalhães, 2015). Nesse ambiente, a atuação tende a ser interdisciplinar,  
articulando bibliotecários e profissionais da saúde.  
Entretanto, a formação em Biblioteconomia no Brasil ainda apresenta lacunas quanto à  
capacitação específica para a prática biblioterapêutica, o que limita sua institucionalização em  
serviços de saúde (Oliveira et al., 2011). A consolidação desse campo demanda, portanto,  
diretrizes mais claras, integração curricular e aprofundamento investigativo.  
4 RESULTADOS DE PESQUISA  
Para atender aos objetivos da pesquisa, aplicou-se questionário online a núcleos de  
acolhimento de hospitais universitários da região Sudeste do Brasil, no período de 3 de abril a  
29 de maio de 2025. Apesar do alcance regional, obteve-se apenas uma resposta válida, o que  
configurou limitação empírica relevante. O respondente4 demonstrou conhecimento acerca da  
biblioterapia e confirmou a existência de práticas dessa natureza na instituição em que atua,  
4 Não identificado  
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com participação de bibliotecários na mediação de leitura, seleção e organização de acervo.  
Também indicou envolvimento de estudantes da área da saúde nas atividades.  
Entre os desafios apontados para a inserção do bibliotecário em hospitais universitários  
destacaram-se o desconhecimento sobre a prática e o preconceito de parte de profissionais da  
saúde quanto à atuação bibliotecária. Ainda assim, o respondente reconheceu o potencial da  
biblioterapia como estratégia de promoção do bem-estar e ressaltou a importância do  
bibliotecário na aplicação, disseminação e formação de equipes.  
Diante da baixa adesão ao questionário, optou-se pela realização de entrevista  
semiestruturada com a psicóloga Priscila de Oliveira Galvão Cassemiro, presidente da  
Comissão de Humanização do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/UNIRIO),  
instituição que desenvolve o projeto de extensão Florescer: humanização e cuidados  
paliativos na construção de um hospital compassivo. A entrevista ocorreu em 10 de junho de  
2025, via Google Meet, e teve como foco a compreensão da prática biblioterapêutica no  
contexto hospitalar.  
Desta maneira, a seguir, será apresentada a análise das respostas fornecidas pela  
entrevistada, que abrange aspectos como a implementação e os objetivos do projeto, os desafios  
enfrentados, as lacunas do processo, a percepção sobre os efeitos da biblioterapia nos pacientes  
atendidos e, especialmente, se existe a presença de bibliotecários na condução das atividades.  
4.1 ANALISANDO OS RESULTADOS DA ENTREVISTA  
O projeto Florescer surgiu em 2021, em articulação com a Comissão de Cuidados  
Paliativos, sendo institucionalizado em 2023 como ação extensionista vinculada à UNIRIO. A  
leitura mediada constitui uma das principais atividades, associada ao chamado “prontuário  
afetivo”, instrumento que coleta informações pessoais e preferências do paciente com o objetivo  
de humanizar o cuidado. A prática consiste na oferta de livros doados, disponibilizados para  
leitura individual ou em voz alta, conforme escolha do paciente (Xavier, 2025).  
Observou-se que a leitura opera não apenas como acesso à literatura, mas como  
dispositivo de escuta e construção de vínculo. Pacientes com internações prolongadas, maior  
fragilidade clínica ou rede social reduzida tendem a demandar com maior frequência a  
mediação. A entrevistada ressaltou que, embora não haja avaliação sistemática dos impactos,  
relatos informais indicam benefícios associados à sensação de acolhimento e reconhecimento  
subjetivo.  
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A personalização da leitura ainda não ocorre de forma estruturada a partir do prontuário  
afetivo, sendo a escolha realizada diretamente com o paciente. O acervo é composto por  
doações, sem curadoria especializada ou política formal de desenvolvimento de coleção. A  
catalogação é simplificada e, devido a protocolos de biossegurança, os livros não retornam ao  
acervo após o uso, o que demanda reposição contínua.  
A equipe do projeto é majoritariamente formada por estudantes de medicina,  
enfermagem, nutrição, serviço social e psicologia, além de profissionais do hospital. Não há  
participação de bibliotecários ou estudantes de biblioteconomia, embora a entrevistada  
reconheça que esses profissionais poderiam contribuir significativamente com curadoria,  
organização da informação e qualificação da mediação.  
Quanto à formação dos voluntários, foram realizadas inicialmente rodas de leitura e  
encontros formativos; contudo, a formação continuada ainda é considerada insuficiente. A  
ausência de instrumentos formais de avaliação também foi identificada como fragilidade do  
projeto.  
Entre os desafios operacionais destacaram-se as condições clínicas dos pacientes, as  
interrupções decorrentes da rotina hospitalar e a coexistência de perspectivas distintas entre  
profissionais da saúde, alguns ainda compreendem a biblioterapia como prática secundária em  
relação aos procedimentos clínicos. Apesar disso, no contexto do HUGG observa-se abertura  
institucional às práticas complementares, evidenciando ampliação da compreensão de saúde  
como experiência integral.  
A análise conjunta do questionário e da entrevista revela que, embora haja  
reconhecimento do potencial da biblioterapia para a humanização hospitalar, persistem lacunas  
estruturais, especialmente quanto à participação do bibliotecário. No projeto Florescer, tais  
lacunas manifestam-se na ausência de curadoria sistemática, na fragilidade formativa e na  
inexistência de instrumentos avaliativos.  
Nesse cenário, a atuação do bibliotecário apresenta-se como estratégica, sobretudo no  
que se refere à organização e gestão do acervo, à mediação qualificada da leitura e à  
consolidação de práticas fundamentadas em princípios técnico-científicos da Biblioteconomia.  
A aproximação entre cursos de Biblioteconomia e projetos hospitalares pode ocorrer, inclusive,  
por meio da curricularização da extensão, ampliando o campo de atuação profissional e  
fortalecendo a dimensão social da formação.  
Adicionalmente, observa-se que a não utilização explícita do termo “biblioterapia” na  
divulgação institucional pode contribuir para a invisibilidade do campo e para a não inserção  
de bibliotecários nessas iniciativas. A consolidação da prática no âmbito da saúde demanda,  
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portanto, ações estruturadas, formação interdisciplinar e maior reconhecimento institucional da  
atuação bibliotecária.  
Ao mencionar experiências semelhantes, a entrevistada relata sua vivência durante a  
residência multiprofissional no Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), onde teve contato  
com o projeto Biblioteca Viva, coordenado pela pedagoga Madalena Oliveira. Nesse projeto,  
voluntários realizam leituras em espaços ambulatoriais infantis ou diretamente nos leitos. Isso  
serviu como inspiração para o projeto Florescer e constitui uma referência que a equipe do  
HUGG busca alcançar.  
4.2 SÍNTESE DA SEÇÃO  
A análise articulada dos dados obtidos por meio do questionário e da entrevista  
evidencia que há espaço institucional para o desenvolvimento da biblioterapia em contextos  
hospitalares. No âmbito do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/UNIRIO), o  
projeto de extensão Florescer configura-se como uma iniciativa voltada à humanização do  
cuidado, especialmente junto a pacientes clínicos submetidos a internações prolongadas. A  
atuação semanal, estruturada a partir do prontuário afetivo e da oferta de leitura, silenciosa ou  
mediada, tem se consolidado como estratégia de acolhimento no ambiente hospitalar.  
Os resultados indicam que a literatura opera como dispositivo de aproximação,  
favorecendo a construção de vínculos e a abertura de espaços dialógicos. Observa-se maior  
adesão entre pacientes em situação de vulnerabilidade emocional ou social, para os quais a  
leitura assume função que ultrapassa o entretenimento, configurando-se como experiência de  
escuta e reconhecimento subjetivo. Ainda que a dinâmica hospitalar imponha limites  
operacionais e que parte dos profissionais compreenda tais práticas como complementares e  
não centrais ao tratamento clínico, verifica-se avanço na incorporação de uma concepção  
ampliada de saúde, que incluem dimensões psicossociais do cuidado.  
Apesar dos avanços, permanecem fragilidades estruturais no projeto. Entre elas  
destacam-se: a ausência de bibliotecários na equipe; a insuficiência de formação sistemática  
para os voluntários; a inexistência de políticas formais de desenvolvimento e curadoria do  
acervo; e a falta de instrumentos avaliativos que permitam mensurar os impactos das atividades  
realizadas. Tais lacunas revelam um campo fértil para a atuação especializada da  
Biblioteconomia.  
Nesse contexto, a inserção do bibliotecário em iniciativas como o Florescer mostra-se  
pertinente não apenas pela competência técnica em organização, classificação e mediação da  
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informação, mas também pelo compromisso social que fundamenta a formação profissional. A  
presença desse especialista poderia qualificar processos de gestão do acervo, aprimorar  
estratégias de mediação e contribuir para a consolidação metodológica da prática  
biblioterapêutica no ambiente hospitalar.  
Como desdobramento possível, propõe-se a criação de curso de extensão voltado à  
formação multiprofissional em biblioterapia, com ênfase nos fundamentos teóricos e técnicos  
da Biblioteconomia aplicados ao contexto da saúde. Tal iniciativa pode fortalecer a articulação  
entre universidade e hospital, ampliando a visibilidade do campo e promovendo integração mais  
efetiva entre saberes.  
Cabe ainda considerar que a reduzida participação de bibliotecários em projetos dessa  
natureza pode relacionar-se à própria invisibilidade terminológica da prática. A ausência do  
termo “biblioterapia” nos materiais de divulgação institucional pode contribuir para o não  
reconhecimento da área como espaço legítimo de atuação profissional. Assim, a explicitação  
conceitual do campo constitui também estratégia de fortalecimento identitário e institucional.  
Para que a biblioterapia avance no cenário da saúde, torna-se imprescindível a adoção  
de medidas estruturadas que envolvam formação, reconhecimento profissional e sistematização  
de práticas. Nesse sentido, esta pesquisa busca evidenciar caminhos possíveis para a inserção  
qualificada de bibliotecários em ambientes hospitalares, contribuindo para o desenvolvimento  
de ações interdisciplinares voltadas à humanização do cuidado.  
5 PARTICIPAÇÃO DE BIBLIOTECÁRIOS EM PROJETOS DE BIBLIOTERAPIA  
NA ÁREA DA SAÚDE: SUGESTÕES E ESTRATÉGIAS  
A literatura da área já aponta o campo da saúde como espaço estratégico para a atuação  
do bibliotecário. Beraquet e Ciol (2010) ressaltam que, embora esse ambiente apresente  
significativo potencial informacional, muitos profissionais concluem a graduação sem domínio  
adequado das especificidades dos contextos de saúde e de seus fluxos informacionais. Tal  
constatação evidencia uma lacuna formativa que impacta diretamente a inserção da  
Biblioteconomia em equipes interdisciplinares.  
Nesse cenário, os núcleos de humanização e acolhimento, estruturados a partir de  
diretrizes de políticas públicas de saúde, configuram-se como espaços institucionais  
consolidados e propícios à incorporação de práticas biblioterapêuticas. A biblioterapia,  
compreendida como mediação qualificada da leitura em contextos de cuidado, encontra nesses  
ambientes um terreno fértil para articulação entre informação, cultura e saúde.  
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Em projetos dessa natureza, a contribuição do bibliotecário ultrapassa a simples  
disponibilização de livros. Conforme Caldin (2001), a seleção de obras deve considerar  
aspectos relacionados à faixa etária, às condições clínicas e ao contexto sociocultural dos  
sujeitos, reconhecendo a leitura como prática situada. A competência técnica em organização,  
classificação e desenvolvimento de coleções permite que o acervo seja estruturado de modo  
coerente com os objetivos terapêuticos e com as necessidades informacionais e simbólicas dos  
usuários.  
Além disso, a participação do bibliotecário desde a etapa de planejamento das ações  
potencializa a consistência metodológica dos projetos. Sua atuação pode abranger a definição  
de critérios de curadoria, a organização de fluxos de empréstimo e reposição de materiais, bem  
como a construção de instrumentos de avaliação que permitam mensurar impactos qualitativos  
das atividades desenvolvidas. Nesse sentido, o bibliotecário configura-se como parceiro  
estratégico das equipes multiprofissionais, contribuindo com saberes específicos sem  
necessariamente assumir posição hierárquica central (Xavier, 2025).  
A consolidação dessa atuação, contudo, depende de investimento formativo. Prudencio  
(2019) já sinaliza que a formação em Biblioteconomia no Brasil ainda contempla de maneira  
insuficiente o campo da saúde. Quando se trata especificamente de biblioterapia, o  
distanciamento torna-se ainda mais evidente. O tema raramente integra componentes  
curriculares formais, permanecendo restrito, na maioria das vezes, a iniciativas pontuais de  
estudantes interessados ou a trabalhos de conclusão de curso orientados por docentes sensíveis  
à temática.  
Essa ausência de abordagem sistemática repercute na baixa familiaridade dos egressos  
com práticas biblioterapêuticas e, consequentemente, limita sua participação em projetos  
extensionistas e institucionais já existentes, como o Projeto Florescer. A lacuna formativa  
contribui para a invisibilidade do campo e para a manutenção de fronteiras simbólicas entre  
Biblioteconomia e Saúde.  
Diante desse quadro, sugere-se o desenvolvimento de ações formativas voltadas à  
capacitação multiprofissional em biblioterapia, contemplando tanto bibliotecários quanto  
profissionais da saúde. Oficinas, cursos de extensão e programas de formação continuada  
podem abordar fundamentos teóricos da biblioterapia, princípios de mediação da leitura,  
políticas de humanização e metodologias de avaliação de impacto. A articulação com conselhos  
profissionais, instituições de ensino superior e redes de atenção à saúde pode fortalecer o  
reconhecimento institucional da prática.  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-16, e-129, jan./jul. 2026.  
ARTIGO  
Paralelamente, a produção de materiais técnicos e recursos informacionais que  
sistematizem experiências desenvolvidas em contextos hospitalares favorece a circulação do  
conhecimento e a replicabilidade das iniciativas. O uso de tecnologias digitais como clubes  
de leitura virtuais, plataformas colaborativas e conteúdos audiovisuais pode ampliar o  
alcance das ações e adaptá-las a diferentes realidades, inclusive em situações de restrição de  
acesso presencial.  
Ao assumir papel ativo na concepção, organização e avaliação dessas práticas, o  
bibliotecário reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à informação e com  
a promoção de uma concepção ampliada de saúde, na qual leitura, escuta e acolhimento  
integram dimensões fundamentais do cuidado.  
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Este estudo teve como propósito analisar a aplicação da biblioterapia em hospitais  
universitários, evidenciando as possibilidades e limites da atuação bibliotecária nesses  
contextos. A investigação permitiu identificar um distanciamento ainda existente entre a  
formação em Biblioteconomia e os espaços institucionais de cuidado em saúde, revelando uma  
desconexão que impacta diretamente a inserção profissional em iniciativas interdisciplinares.  
No que se refere às habilidades e conhecimentos necessários à prática biblioterapêutica,  
constatou-se que, embora o campo apresente amplo potencial de atuação para bibliotecários(as),  
persiste uma lacuna formativa significativa. A graduação em Biblioteconomia, de modo geral,  
não incorpora de forma sistemática conteúdos voltados à biblioterapia ou à mediação da leitura  
em contextos de saúde, o que restringe o acesso dos profissionais a esse nicho de atuação. Como  
consequência, muitos egressos desconhecem as possibilidades de contribuição da área em  
ambientes hospitalares e em outras instituições nas quais a leitura pode funcionar como  
instrumento de acolhimento, escuta qualificada e promoção do bem-estar.  
Essa insuficiência formativa repercute não apenas na limitação técnica, mas também na  
dificuldade de desenvolver competências relacionadas à sensibilidade, à mediação cultural e ao  
preparo ético exigido em contextos de vulnerabilidade. Projetos multiprofissionais e ações  
extensionistas demandam do bibliotecário uma atuação que ultrapassa a organização do acervo,  
exigindo compreensão ampliada do cuidado e disposição para o diálogo interdisciplinar.  
Quando tais dimensões não são contempladas na formação inicial, o engajamento da categoria  
tende a ser reduzido.  
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Os resultados da pesquisa também indicam que a atuação do(a) bibliotecário(a) em  
práticas biblioterapêuticas pode ser ampliada de maneira consistente, desde que fundamentada  
em referenciais teóricos que dialoguem com áreas como Psicologia, Educação e Saúde Coletiva.  
A consolidação desse campo pressupõe o reconhecimento dos limites profissionais, mas  
também a valorização da interdisciplinaridade como espaço de cooperação e construção  
compartilhada do cuidado.  
Nesse contexto, a curricularização da extensão surge como oportunidade estratégica.  
Iniciativas como o Projeto Florescer podem configurar-se como ambientes formativos  
privilegiados, capazes de aproximar estudantes de Biblioteconomia dos cenários reais de  
atuação em saúde. A articulação entre universidade e hospital favorece não apenas a  
qualificação técnica, mas também a construção de uma identidade profissional comprometida  
com a responsabilidade social e com a humanização dos serviços.  
Por fim, como desdobramento investigativo, sugere-se a realização de estudos de maior  
abrangência, como um mapeamento ou censo nacional das práticas de biblioterapia em  
hospitais universitários brasileiros. Tal iniciativa poderá oferecer panorama mais amplo do  
campo, subsidiando políticas formativas e estratégias institucionais voltadas à inserção  
qualificada do bibliotecário em contextos de cuidado.  
ASKLEPION : Informação em Saúde, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, p. 1-16, e-129, jan./jul. 2026.  
ARTIGO  
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